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sexta-feira, 24 de maio de 2013

VERBOS TERMINADOS EM "-EAR" E "-IAR"

"Ó, e agora quem poderá remedIAR a situação?"

Você sabe conjugar os verbos terminados em “-ear” e os terminados em “-iar”?

O certo é “Eu ARREIO ou ARRIO”?

Os dois estão certos.

Eu ARREIO é do verbo ARREAR (=pôr os arreios);
Eu ARRIO é do verbo ARRIAR (=abaixar, descer).

1) Todos os verbos terminados em “-EAR” (ARREAR, CEAR, FREAR, PASSEAR, PENTEAR, RECEAR, RECREAR, SABOREAR…) são irregulares: fazem um ditongo “EI” nas formas rizotônicas (1ª, 2ª, 3ª do singular e 3ª do plural, nos tempos do presente):

PRESENTE DO INTICATIVO

Eu arrEIo
Tu arrEIas
Ele arrEIa
Nós arreamos
Vós arreais
Eles arrEIam

PRESENTE DO SUBJUNTIVO (=que…)

Eu arrEIe
Tu arrEIes
Ele arrEIe
Nós arreemos
Vós arreeis
Eles arrEIem

2) Os verbos terminados em “-IAR” (ARRIAR, ANUNCIAR,COPIAR, MIAR, PREMIAR, VARIAR…) são regulares, exceto: ANSIAR, INCENDIAR, ODIAR, MEDIAR, INTERMEDIAR e REMEDIAR, que são irregulares (= ditongo “EI” nas formas rizotônicas):

Observe a diferença:

PRESENTE DO INDICATIVO

ARRIAR (=verbo regular)
Eu arrio
Tu arrias
Ele arria
Nós arriamos
Vós arriais
Eles arriam

ANSIAR (=verbo irregular)
Eu ansEIo
Tu ansEIas
Ele ansEIa
Nós ansiamos
Vós ansiais
Eles ansEIam

PRESENTE DO SUBJUNTIVO

eu arrie
tu arries
ele arrie
nós arriemos
vós arrieis
eles arriem

eu ansEIe
tu ansEIes
ele ansEIe
nós ansiemos
vós ansieis
eles ansEIem

Portanto, o certo é:

Ele anseia, incendeia, odeia, medeia, intermedeia e remedeia (=irregulares); mas…

Ele arria, anuncia, copia, mia, premia, varia

O verbo MAQUIAR (=maquilar) também é regular: maquio, maquias, maquia…

Resumindo:

VERBOS TERMINADOS EM -EAR E -IAR

1. -EAR: recebem "i" depois do "e", nas formas rizotônicas.

Recear: recEIo, recEIas, recEIa, receamos, receais, recEIam.
recEIe, recEIes, recEIe, receemos, receeis, recEIem
receei, receaste, receou, receamos, receastes, recearam

Errado: freiar, estreiar e ceiar.
Correto: FREAR, ESTREAR e CEAR

2. -IAR: regulares.

Arriar: arrio, arrias, arria, arriamos, arriais, arriam.
Maquiar: maquio, maquias, maquia, maquiamos, maquiais, maquiam.

Os verbos irregulares Mediar, Ansiar, Remediar, Incendiar e Odiar: recebem um "e" antes do "i" nas formas rizotônicas:

Odiar: odEIo, odEIas, odEIa, odiamos, odiais, odEIam.
odEIe, odEIes, odEIe, odiemos, odieis, odEIem.

domingo, 27 de janeiro de 2013

CORRELAÇÃO DOS TEMPOS E MODOS VERBAIS


Olívia bebeu o suco que pôs na taça.

Eu pergunto a vocês, leitores: essa frase está correta?
Trata-se, sem dúvidas, de uma frase clara, pois todo mundo que a lê entende perfeitamente o que aconteceu: em primeiro lugar, Olívia colocou suco na taça. Em segundo lugar, ela o bebeu.
Atenção para o tempo verbal que foi usado para expressar ambas as ações: o pretérito perfeito do indicativo que, como sabemos, indica uma ação passada já concluída.
No nosso exemplo, temos duas ações passadas concluídas (beber e pôr). Acontece, todavia, que não é possível que Olívia tenha bebido e posto o suco na taça simultaneamente. Uma das ações, logicamente,  aconteceu antes da outra. E qual é o tempo verbal que devemos usar para indicar uma ação passada concluída antes de outra ação também passada? Como sabemos, é pretérito mais-que-perfeito!
Como Olívia teve que pôr o suco na taça antes de bebê-lo, o ideal seria que escrevêssemos a frase assim:

Olívia bebeu o suco que pusera na taça.

Nessa nova construção, temos a correlação adequada de tempos e modos verbais. Sabemos, então, que o pretérito mais-que-perfeito do indicativo combina com o pretérito perfeito do indicativo quando queremos indicar duas ações passadas concluídas, uma anterior à outra.
Vejamos mais um exemplo:

Se eu tivesse mais tempo, viajaria sempre.

Aqui há o verbo tivesse, flexionado no imperfeito do subjuntivo, modo que expressa dúvida, hipótese. Temos que pensar na carga semântica do verbo quando escolhemos algum outro para com ele combinar. No caso em questão, podemos escolher o futuro do pretérito do indicativo (viajaria), pois ele expressa uma ação futura cuja realização depende de algo, uma ação condicionada.
A ideia transmitida pelo imperfeito do subjuntivo é de uma possibilidade bem remota. Por isso devemos usar o futuro do pretérito na combinação.
As correlações entre o pretérito mais-que-perfeito e o pretérito perfeito, ambos do indicativo, e entre o imperfeito do subjuntivo (-SSE) e o futuro do pretérito do indicativo (-RIA), são as mais comuns nas provas.
Em relação às demais, cabe ao leitor analisá-las cuidadosamente e ver se a lógica entre as informações é mantida.

Vejamos mais alguns exemplos de combinações bem feitas:

Se eu passar no vestibular, cursarei Psicologia. 
(Fut. do subjuntivo + fut. do pres. do indicativo).

Ela pediu que eu comprasse mais pães na padaria. 
(Pret. Perfeito do indicativo + imperfeito do subjuntivo).

Se Lúcia tivesse pedido, eu teria trazido os pães. 
(Pret. Mais-que-perfeito composto do subjuntivo + futuro do pretérito composto do indicativo).

Apesar de ser seguro considerar que o imperfeito do subjuntivo e o futuro do pretérito do indicativo combinam (-SSE, -RIA), o importante mesmo é treinar para conseguir compreender o sentido dos períodos formado com correlações de tempos verbais. Para isso, é preciso saber o que cada tempo e modo verbal quer dizer.

Em relação à atitude do falante, pode-se dizer que ela muda conforme o modo verbal escolhido, como no esquema abaixo:
  • MODO INDICATIVO à atitude de declaração, de certeza;
  • MODO SUBJUNTIVO à atitude de dúvida, fala hipotética;
  • MODO IMPERATIVO à atitude de ordem, pedido, sugestão.
Quanto ao sentido dos tempos verbais do modo indicativo, podemos afirmar o seguinte (abordaremos os sentidos básicos!):

TEMPOS DO MODO INDICATIVO:


Presente do indicativo
  • Enuncia um fato que ocorre no momento em que se fala: Bebo água.
  • Dá atualidade ou dinamismos a fatos passados que são contados no presente: Em 1500, Cabral descobre o Brasil.
  • Indica ação futura e certa: Amanhã faço os exercícios de gramática.
  • Exprime dogmas, fatos cientificamente comprovados: A Terra gira em torno do sol. Um ângulo reto tem 90 graus.
  • Enuncia ação habitual: Aos sábados, almoçamos aqui.

Pretérito perfeito do indicativo
  • Enuncia fato passado já concluído: Compramos um apartamento espaçoso.

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo
  • Exprime fato passado concluído antes de outro fato também passado: Comeu todos os doces que fizera. (primeiro fez, depois comeu).

Pretérito imperfeito do indicativo
  • Exprime um fato passado referindo-se ao momento em que ele ainda acontecia (ou seja, ainda não concluído): Eu cozinhava quando minha mãe chegou.
  • Indica ação frequentativa passada: Quando criança, lia Monteiro Lobato.

Futuro do presente do indicativo
  • Indica fato futuro tido como certo: Amanhã farei os trabalhos da faculdade.

Futuro do pretérito do indicativo
  • Enuncia um fato futuro relativo a um fato passado: Ontem Marta falou que compraria um par de sapatos.
 Por fim, lembremo-nos, também, dos tempos compostos:

Do indicativo Do subjuntivo
Pretérito perfeito Pres. do ind. + particípio Tenho escolhido Pres. do subj. + partícipio Tenha escolhido
Pretérito MQP Pret. Imperf. do ind. + Particípio Tinha escolhido Imperfeito do subj. + particípio Tivesse escolhido
Futuro do presente Fut. do pres. do ind. + particípio Terei escolhido Fut. do subjuntivo + particípio Tiver escolhido
Futuro do pretérito Fut. do pretérito do ind. + particípio Teria escolhido

Com base nessa tabela, por exemplo, sabemos que "Olívia tinha feito os doces quando Gabriela chegou" equivale a "Olívia fizera os doces quando Gabriela chegou."

Esse post não teve, de jeito nenhum, a intenção de esgotar o tema da correlação entre tempos e modos verbais. A intenção foi apenas a de dar uma "clareada" no assunto e incentivá-los, leitores, a estudar e a treinar bastante, pois só assim vocês ficarão seguros para enfrentarem as questões que cobrem esse conteúdo!
Um grande abraço!

Professor Daniel Vícola

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

VERBOS IRREGULARES


Diferentemente dos regulares, os verbos irregulares não seguem um modelo de conjugação, apresentando alterações em seu radical ou em suas terminações.

Veja o que ocorre com o verbo perder, que já na primeira pessoa do singular do presente do indicativo apresenta irregularidade bastante comum: a troca do radical do infinitivo perd- por perc-: eu perco.

Com o verbo estar, também no presente do indicativo, não temos mudança no radical (est-). As terminações e a posição da sílaba tônica em nada se parecem com as da maioria dos verbos terminados em -ar:

eu estou
tu estás
ele está
nós estamos
vós estais
eles estão

Se o verbo estar fosse regular, seu presente do indicativo seria: eu esto, tu estas, ele esta, nós estamos, vós estais, eles estam.

Mas é claro que ninguém o conjuga assim.

Vamos agora prestar muita atenção na conjugação de alguns verbos irregulares que normalmente causam dúvidas.

Verbos terminados em -IAR:

Quase todos os verbos terminados em -iar são regulares, como anunciar, denunciar, variar, reverenciar, maquiar, policiar, noticiar, angustiar, negociar:

eu anuncio ele anuncia nós anunciamos eles anunciam

eu vario ele varia nós variamos eles variam

eu negocio ele negocia nós negociamos eles negociam

No entanto, há cinco verbos terminados em -iar cuja conjugação é irregular: mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar.

Mediar - medeio, medeias, medeia... que eu medeie, medeies, medeie...
Ansiar - anseio, anseias, anseia... que eu anseie, anseies, anseie...
Remediar - remedeio, remedeias, remedeia...que eu remedeie, remedeies...
Incendiar - incendeio, incendeias, incendeia...que eu incendeie...
Odiar - odeio, odeias, odeia... que eu odeie, odeies, odeie...
Como você deve ter notado, a inicial de cada verbo permite formar uma ótima dica: a nome próprio "MARIO".
Veja de novo:

Mediar
Ansiar
Remediar
Incendiar
Odiar

O verbo intermediar, derivado de mediar, também é irregular:

eu intermedeio, tu intermedeias, ele intermedeia;
que eu intermedeie, que ele intermedeie, que nós intermediemos, que eles intermedeiem, nós intermediamos, vós intermediais, eles intermedeiam

Cuidado com o presente do subjuntivo desses verbos. Tome como modelo odiar:

que eu odeie, que tu odeies, que ele odeie, que nós odiemos, que vós odieis, que eles odeiem;

Verbos terminados em -EAR:

Responda já: o time deve estrear ou estreiar?
Eis um dos grandes nós da ortografia da língua portuguesa: o substantivo correspondente ao verbo é estreia, mas o verbo, mesmo, é estrear; assim como o substantivo é receio, mas o verbo é recear. E por aí vai.

Agora, anote: não existe verbo terminado em -eiar!
Vale a pena repetir: não existe verbo terminado em -eiar.

Há verbos terminados em -iar, como variar, anunciar e tantos outros já citados, e verbos terminados em -ear, como frear, passear, pentear, recear, estrear.

Todos os verbos terminados em -ear são conjugados com as mesmas terminações. Vamos tomar como exemplo e modelo o verbo frear.

Presente do Indicativo

eu freio
tu freias
ele freia
nós freamos
vós freais
eles freiam

Pretérito Perfeito do Indicativo

eu freei
tu freaste
ele freou
nós freamos
vós freastes
eles frearam

Você já sabe que os dois tempos dados acima são primitivos. E já conhece os esquemas de conjugação dos tempos derivados. Aplique-os, agora, com qualquer tempo de qualquer verbo terminado em -ear.

Não esqueça: todos - absolutamente todos - os verbos terminados em -ear apresentam as mesmas terminações.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

AS DIFICULDADES DA CONJUGAÇÃO VERBAL


Ao chegar na lição das conjugações verbais, professor de Português e alunos se divertem, porque há cada forma verbal muito esquisita. Outras que existem apenas para azucrinar o aluno e deixar o professor estressado, caso este não conduza a lição para o campo do humor.
A primeira dificuldade é a existência da segunda pessoa “tu” e “vós”. Logo gritam: “Ninguém usa isso, professor, a não ser os gaúchos!”. E acrescento que os gaúchos o usam erroneamente, pois colocam o verbo na terceira pessoa do singular: ‘tu foi” (em vez de “tu foste”)
“Eu cri”, “ele creu” – pretérito perfeito do indicativo. Se alguém usar essas duas formas verbais numa conversa será, no mínimo, questionado. A primeira pessoa do presente do indicativo verbo rir: rio, também é muito engraçada e todos os falantes fogem dela.
Ao conjugar o verbo “pôr”, o aluno fica indignado com a forma “pus”, primeira pessoa do pretérito perfeito do indicativo. “Pus não é aquele negócio de ferida, professor”. Explico que sim, mas também é uma forma verbal. E a saída vem imediatamente: “É melhor usar ‘coloquei!’”
Explico que os verbos derivados são conjugados de acordo com os primitivos: refazer (de acordo com fazer), repor (de acordo com pôr), reaver (de acordo com haver). O livro ou apostila põe um exercício com o verbo “requerer”. O aluno quer conjugá-lo de acordo com o “querer”, mas não pode, porque “re” não é prefixo indicativo de repetição nesse verbo. Em vez de “requis” é “ requereu”.
Raramente um verbo é irregular nos futuros do indicativo: do presente e do pretérito, porque é um tempo derivado do infinitivo impessoal, em que o radical permanece inalterado, mas os verbos “fazer” e “dizer” conseguem ser irregulares neles, pois perdem a sílaba “ze”; por isso, alunos conjugam: fazerei, dizerei, quando é “farei” e “direi”.
Nesses mesmos tempos, futuros do indicativo, conjugar o verbo “querer” com os alunos é uma lástima. Não aceitam as duas sílabas “re”: quererei, quereres, quererá, quereremos, querereis, quererão.
Dar a formação do imperativo exige malabarismo do professor, principalmente o afirmativo: uma parte vem do presente do indicativo menos a letra “s” (tu/vós) e a outra do presente do subjuntivo.
O pretérito mais-que-perfeito (tempo simples) é uma loucura no ensino da conjugação verbal. Ninguém o usa na linguagem cotidiana, preferem o tempo composto: comprara (tinha comprado). Nem as pessoas de bom nível intelectual têm a paciência de usá-lo. Mas existem os textos mais antigos, além disso, na língua portuguesa, os gramáticos demoram para enterrar um defunto, ficam curtindo o mau cheiro, gostam de ver o professor de Português se descabelar.
Problema maior é ensinar o verbo “ver” no futuro do subjuntivo: vir, vires, vir, virmos, virdes, virem. “Esse não é o verbo ‘vir’, professor”. Explico que o verbo “vir” faz o futuro do subjuntivo assim: vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem.
Na conjugação dos verbos nos futuros do indicativo, aproveita-se para dar a colocação pronominal: mesóclise. Exercício: conjugue o verbo conduzir nos tempos futuro do presente e futuro do pretérito, ambos do indicativo, aplicando a mesóclise com o pronome pessoal, oblíquo e átono “o”: conduzi-lo-ei, conduzi-lo-ás, conduzi-lo-á, conduzi-lo-emos, conduzi-lo-eis, conduzi-lo-ão/ conduzi-lo-ia, conduzi-lo-ias, conduzi-lo-ia, conduzi-lo-íamos, conduzi-lo-íeis, conduzi-lo-iam.
Os verbos “ir” e “ser” são iguais nos tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo: fui, foste, foi, fomos, fostes, foram. Pretérito mais-que-perfeito: fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram. Futuro do subjuntivo: for, fores, for, formos, fordes, forem. Pretérito imperfeito do subjuntivo: fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem.
Tenho conscientizado meus alunos de que os dicionários, como Aurélio e Houaiss, principalmente as versões eletrônicas, são ótimos como fontes de pesquisa gramatical, pois, dentre outras coisas, apresentam a conjugação de todos os verbos.

* Hélio Consolaro é professor de Português, jornalista, escritor e membro da Academia Araçatubense de Letras.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

"EU SÓ COMPITO SE AS REGRAS FOREM ALTERADAS!"


Que brasileiro, em sã consciência (que frase mais clichê!), diria essa frase sem titubear? Acredito que poucos, pois a maioria não teria certeza de que forma do verbo competir deveria utilizar na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, tempo que indica ação cotidiana, caracterizado pela frase "Todos os dias eu..."

Pois bem, a frase apresentada está CERTA!

O verbo competir deve ser assim conjugado no presente do indicativo:

Eu compito,
Tu competes,
Ele compete,
Nós competimos,
Vós competis,
Eles competem.

No presente do subjuntivo, tempo que indica hipótese, desejo, dúvida no momento presente, caracterizado pela expressão "Espero que eu..." , deve ser assim conjugado:

Que eu compita,
Que tu compitas,
Que ele compita,
Que nós compitamos,
Que vós compitais,
Que eles compitam.

Conjugações semelhantes ocorrem com os verbos:

aderir, despir, inserir, repelir, advertir, diferir, interferir, ressentir, aferir, digerir, investir, revestir, aspergir, discernir, mentir, seguir, assentir, divergir, perseguir, sentir, auferir, divertir, preferir, servir, compelir, expelir, pressentir, sugerir, concernir, ferir, preterir, transferir, consentir, impelir, prosseguir, deferir, inferir, referir, desferir, ingerir, refletir.

VAMOS PRATICAR UM POUQUINHO?

Teste da semana:

Que opção completa corretamente as lacunas da frase abaixo?

Não _____ problemas entre _____ e você.

a) há - mim;
b) existe - mim;
c) há - eu;
d) existem - eu.

Resposta do teste:

Letra (a). O verbo HAVER, com o sentido de “existir”, é impessoal (sem sujeito), por isso só deve ser usado no singular: “ problemas = EXISTEM problemas”. Já a preposição “entre” exige o uso do pronome oblíquo tônico: “entre MIM e você”.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

VERBOS: PRESENTE DO INDICATIVO

Observe atentamente os tempos verbais das formas destacadas na canção abaixo:

O mundo é um moinho
(Composição: Cartola)

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

Todas as formas verbais destacadas nessa belíssima letra de Cartola aparecem flexionadas no PRESENTE e, como o expressam em tom de certeza, de afirmação dos fatos, então este é o PRESENTE DO MODO INDICATIVO.

Vamos relembrar esse TEMPO e esse MODO?

PRESENTE DO INDICATIVO

O MODO INDICATIVO serve para expressar ações definidas, reais. O TEMPO PRESENTE, normalmente, exprime as ações que acontecem no momento em que se fala. Entretanto, este tempo verbal pode ser também empregado em outras circunstâncias. Vejamos alguns empregos do presente do indicativo na língua portuguesa:

* Para indicar PRESENTE MOMENTÂNEO:

"Não percamos de vista o ardente Sílvio que lá vai, que desce e sobe, escorrega e salta." - M. Assis. (Fato atual, que se dá no momento em que se fala; o narrador, aqui, está presenciando as ações do personagem)

* PRESENTE DURATIVO:

"A Igreja condena a pílula anticoncepcional e a Ciência a aprova." (Ações ou estados considerados permanentes)

* PRESENTE HABITUAL ou FREQÜENTATIVO:

"Aqueles jovens estudam na mesma escola." (A forma verbal no presente indica um hábito, uma coisa que acontece sempre.)

* PRESENTE HISTÓRICO ou NARRATIVO:

"Procuram-se e acham-se. Enfim, Sílvio achou Sílvia; viram-se, caíram nos braços um do outro, ofegantes de canseira, mas remidos com a paga. Unem-se, entrelaçam os braços e regressam palpitando da inconsciência para a consciência." - M. Assis. (Os verbos no presente servem para dar mais vivacidade às ações acontecidas no passado.)

* PRESENTE COM SENTIDO DE FUTURO MUITO PRÓXIMO:

"Vou arrumar as malas e, amanhã, embarco para a Europa."
"Vou à Roma, depois sigo para Londres."
(Para se evitar qualquer tipo de ambigüidade, deve-se usar advérbios de
tempo que exprimam futuro junto ao verbo no presente)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

CONJUGAÇÃO: FUTURO DO SUBJUNTIVO


"Quando você vir com os olhos da Imaginação, o mundo todo, ao seu redor, ficará mais colorido."

Conjugação verbal é sempre motivo para dores de cabeça em se tratando de exercícios sobre verbo, certo?
Não se você souber como trabalhar com ela! As conjugações verbais são nossas aliadas, não inimigas, e podem nos ajudar a solucionar diversos problemas. Veja só:

O futuro do subjuntivo indica um futuro hipotético. É usado principalmente em orações condicionais (se ...) e temporais (quando ...). Esse tempo verbal deriva da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (troca-se a terminação "-ram" por "-r").
Quer ver como é fácil? Acompanhe os exemplos abaixo:

Fazer: Eles fize(-ram)--- fize(+r) = se eu fizer... / quando eu fizer...;

Trazer: Eles trouxe(-ram) trouxe(+r) = se eu trouxer... / quando eu trouxer...;

Querer: Eles quise(-ram) _ quise(+r) = se eu quiser... / quando eu quiser...;

Dizer: Eles disse(-ram) _ disse(+r) = se eu disser... / quando eu disser...;

Pôr: Eles puse(-ram) _ puse(+r) = se eu puser... / quando eu puser...;

Ser e Ir: Eles fo(-ram) _ fo(+r) = se eu for... / quando eu for...;

Vir: Eles vie(-ram) _ vie(+r) = se eu vier... / quando eu vier;

Ver: Eles vi(-ram) _ vi(+r) = se eu vir... / quando eu vir...

É por isso que o futuro do subjuntivo do verbo "ver" fica: "se eu vir o filme..."; "quando você vir o resultado do teste..."; "quando nos virmos novamente..."; "se vocês virem a verdade...".
Viram como é fácil?
Até a próxima!

VERBOS "ANÔMALOS"


Calma! Não precisa ficar assustado!
Vamos parar pra pensar acerca desta exótica nomenclatura?
O que a palavra "anômalo" sugere para você?
Fácil, hum? "Anômalo" é algo "esquisitão", "fora do comum", "estranho"!
Pois bem: assim são os chamados "VERBOS ANÔMALOS", também: verbos "esquisitões" que, ao longo de sua conjugação, sofrem profundas alterações em seu radical (sua raiz) e nas suas desinências.
Na nossa língua portuguesa existem apenas dois verbos nesta categoria: o verbo SER e o verbo IR:

Verbo SER (originário das formas latinas "sedere" e "essere"): sou, és, é, somos, sois, são.

Verbo IR (originário das formas latinas "ire", "vadere" e "fugere"): vou, vais, vá... irei, irás, irá... fui, foste, foi...

Observação: Os verbos SER e IR são iguais nos pretéritos Perfeito e Mais-que-Perfeito do Indicativo; no Imperfeito e no Futuro do Subjuntivo. Nesses casos, é sempre o contexto frasal que vai dar conta de distingüir um verbo do outro:

Ele fora meu amigo, na infância. (fora = verbo SER)
Ele fora embora chateado naquele dia. (fora = verbo IR)

CURIOSIDADES SOBRE ALGUNS VERBOS


* EU "PRETIRO"

O verbo "preterir", que significa "deixar de parte, desprezar, rejeitar", é conjugado como tantos verbos portugueses que terminam em "-erir" (ferir, conferir, preferir, aderir).

Exemplos:

Eu firo, eu confiro, eu prefiro, eu adiro, eu pretiro.

Lembre-se de que "preterir" é antônimo de "preferir". Assim, se alguém deve escolher entre morar no Rio de Janeiro ou em São Paulo e acaba optando pelo Rio, esta pessoa está preterindo a cidade de São Paulo.

* HÁ ou HAVIA?

Qual é a forma correta?

"Ela estava em cena mais de uma hora."
ou
"Ela estava em cena havia mais de uma hora."

Segundo o princípio da correspondência dos tempos verbais, devemos dizer que "Ela estava em cena havia mais de uma hora", porque o verbo que acompanha a forma "havia" está no pretérito imperfeito (= estava, fazia, era). Assim também se daria se estivesse no pretérito mais-que-perfeito (= estivera, fizera, soubera, tinha estado, havia feito).

Em caso de dúvida, podemos usar o seguinte "truque": substituir o verbo "haver" pelo "fazer". Se o resultado da troca for "fazia" (e não "faz"), use "havia" (e não "").

Exemplos:

" Estava sem comer havia (= fazia) três dias."
" Havia (= fazia) dez anos que o clube não era campeão."
"Ela estivera naquela cidade havia (= fazia) muito tempo."

É importante observar que a ação se encerrou. A forma (= faz) indica que a ação verbal prossegue. Veja a diferença:

"Havia dez anos que o clube não era campeão." (= o clube acabou de ganhar o campeonato);

" dez anos que o clube não é campeão." (= o clube continua sem ganhar o campeonato).

* COMO É CORRETO DIZER?

"Ele disse que chegaria cedo, mas chegou às 5h";
ou
"Ele tinha dito que chegaria cedo, mas chegou às 5h".

A diferença entre disse e tinha dito é o tempo verbal: disse está no pretérito perfeito e tinha dito, no pretérito mais-que-perfeito do indicativo.

O pretérito perfeito indica uma ação concluída no passado: "Ele disse, saiu, fez..."; o pretérito mais-que-perfeito indica uma ação anterior a outra ação que já está no passado: "Quando eu cheguei (pretérito perfeito = ação já passada), ele já tinha dito ou dissera ou havia dito, tinha saído ou saíra ou havia saído, tinha feito ou fizera ou havia feito (pretérito mais-que-perfeito = ação anterior à ação já passada)".

Assim sendo, a frase correta é: "Ele tinha dito que chegaria cedo, mas chegou às 5h". A ação de "dizer" é anterior a ação de "chegar". O pretérito mais-que-perfeito é o "passado do passado".

* EU ARGUO

O verbo "argüir" não é defectivo. A primeira pessoa do singular do presente do indicativo é "eu arguo". O detalhe é que não há acento agudo na vogal "u", embora a sílaba tônica seja a penúltima (="gu"). Devemos pronunciar e escrever "arguo".

* O VERBO SOER

Você já ouviu alguém dizer "como sói acontecer"? "Ele chegou atrasado, como sói acontecer." A frase é erudita, e você precisa conhecê-la. "Sói" é a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo "soer". E o que significa "soer"? Vamos aos dicionários: "ser comum, freqüente; ocorrer geralmente; costumar". Então "sói" significa "é comum", "ocorre geralmente": "Ele chegou atrasado, como é comum acontecer."