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domingo, 8 de julho de 2012

TRANSPOSIÇÃO DO DISCURSO DIRETO PARA O INDIRETO



TRANSPOSIÇÃO DO DISCURSO DIRETO PARA O INDIRETO 

Do confronto destas duas frases:

“- Guardo tudo o que meu neto escreve - dizia ela.” (A.F. Schmidt)
“Ela dizia que guardava tudo o que o seu neto escrevia.”

Verifica-se que, ao passar-se de um tipo de relato para outro, certos elementos do enunciado se modificam, por acomodação ao novo molde sintático.

a) Discurso direto: enunciado em 1ª ou 3ª pessoa.

“- Devia bastar, disse ela; eu não me atrevo a pedir mais.” (M. de Assis)

Discurso indireto: o enunciado passa a ser construído todo em 3ª pessoa:

Ela disse que deveria bastar, que ela não se atrevia a pedir mais.”

b) Discurso direto: verbo enunciado no presente:

“- O major é um filósofo, disse ele, com malícia.” (Lima Barreto)

Passando para o discurso indireto, o verbo é enunciado no pretérito imperfeito:
“Disse ele, com malícia, que o major era um filósofo.”

c) Discurso direto: verbo enunciado no pretérito perfeito:

“- Caiubi voltou, disse o guerreiro Tabajara.” (José de Alencar)

Discurso indireto: verbo enunciado vai para o pretérito mais-que-perfeito:

“O guerreiro Tabajara disse que Caiubi tinha voltado.”

d) Discurso direto: verbo enunciado no futuro do presente:

“- Virão buscar você muito cedo? - perguntei.”

Discurso indireto: verbo vai para o futuro do pretérito:

“Perguntei se viriam buscar você muito cedo”

e) Discurso direto: verbo no modo imperativo:

- Acabem logo com essa discussão! , gritaram em volta.

Discurso indireto: verbo no modo subjuntivo:

“Gritaram em volta que acabassem logo com aquela discussão.”

f) Discurso direto: enunciado justaposto:

“O dia vai ficar triste, disse Caiubi.”

Discurso indireto: enunciado subordinado, geralmente introduzido pela integrante que:

“Disse Caiubi que o dia ia ficar triste.”

g) Discurso direto: enunciado em forma interrogativa direta:

“Pergunto - É verdade que a Aldinha do Juca está uma moça encantadora?” (Guimarães Rosa)

Discurso indireto: o enunciado em forma interrogativa indireta:

“Pergunto se é verdade que a Aldinha do Juca está uma moça encantadora.”

h) Discurso direto: pronome demonstrativo de 1ª pessoa (este, esta, isto) ou de 2ª pessoa
(esse, essa, isso).

Isto vai depressa, disse Lopo Alves.”(Machado de Assis)

Discurso indireto: pronome demonstrativo de 3ª pessoa (aquele, aquela, aquilo).

“Lopo Alves disse que aquilo ia depressa.”

i) Discurso direto: advérbio de lugar aqui:

“E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta, concluindo: - Aqui, não está o que procuro.”(Afonso Arinos)

Discurso indireto: o advérbio de lugar correspondente é “ali”:

“E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta, concluindo que ali não estava o que procurava.”

domingo, 3 de agosto de 2008

DISCURSO DIRETO, INDIRETO E INDIRETO LIVRE


Em uma narrativa, o narrador pode apresentar a fala das personagens através do discurso direto ou do discurso indireto.

No discurso direto, conhecemos a personagem através de suas próprias palavras. Para construir o discurso direto, usamos o travessão e certos verbos especiais, que chamamos de verbos "de dizer" ou verbos dicendi.

São exemplo de verbos dicendi os verbos falar, dizer, responder, retrucar, indagar, declarar, exclamar e assim por diante.

Na seguinte passagem do romance "Vidas Secas", de Graciliano Ramos, ficamos sabendo do sofrimento e da rudeza de Fabiano, o protagonista, através da forma como ele se dirige ao filho:

"Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.
- Anda, condenado do diabo! - gritou-lhe o pai
."

No discurso indireto, o narrador "conta" o que a personagem disse. Conhecemos suas palavras indiretamente. A passagem mencionada acima ficaria assim:

"O pai gritou-lhe que andasse, chamando-o de condenado do diabo."

Há ainda, uma terceira forma de conhecer o que as personagens dizem. É o discurso indireto livre. Nesse caso, o narrador passa do discurso indireto para o direto sem usar nenhum verbo dicendi ou travessão.

Por exemplo, numa outra passagem de Vidas Secas, o narrador usa o discurso indireto livre para caracterizar a personagem de seu Tomé:

"Seu Tomé da bolandeira falava bem, estragava os olhos em cima de jornais e livros, mas não sabia mandar: pedia. Esquisitice de um homem remediado ser cortês. Até o povo censurava aquelas maneiras. Mas todos obedeciam a ele. Ah! Quem disse que não obedeciam?"

Podemos observar que a última reflexão não é do narrador, e sim da personagem, pensando sobre a questão.