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sexta-feira, 10 de maio de 2013

"DIA A DIA" OU "DIA-A-DIA"? COMO FICA A GRAFIA DEPOIS DO ACORDO ORTOGRÁFICO?


A forma correta de escrita da locução é dia a dia, sem o hífen. A locução dia-a-dia passou a estar errada desde a entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, em janeiro de 2009. 
Devemos utilizar a locução adverbial ou substantiva dia a dia sempre que quisermos nos referir a uma ação realizada diariamente ou uma ação que vai sendo realizada à medida que os dias passam. A expressão dia a dia, em seu uso como substantivo composto, significa cotidiano
Segundo o Novo Acordo Ortográfico, o hífen não deverá ser utilizado nas palavras compostas que possuem, entre seus termos, um elemento de ligação (normalmente, uma preposição).  São exemplos dessa nova regra as seguintes palavras: dia a dia, fim de semana, pé de moleque, lua de mel, sala de jantar, cão de guarda, cor de vinho, café com leite, à toa, etc.
Assim como a expressão “dia a dia”, muitas outras expressões já tradicionais na língua portuguesa perderam o hífen. Confira:

corpo a corpo (substantivo e advérbio), passo a passo (substantivo e advérbio), arco e flecha, general de divisão, lua de mel, pé de moleque, ponto e vírgula, não me toques (melindres), um disse me disse, um deus nos acuda, um(a) maria vai com as outras, um pega pra capar, carne de sol, dor de cotovelo, pau de sebo, (um) faz de conta, queda de braço, (forró/trio) pé de serra, fim de semana, bicho de sete cabeças, mão de obra, quarta de final e dia a dia (substantivo e advérbio).

Exemplos de uso da expressão dia a dia

A funcionária atualizava a lista de presença dia a dia
Dia a dia vai melhorando a saúde do paciente. 
Meu dia a dia às vezes é tão aborrecido! 

Atenção às exceções! (Sempre elas...)

1) água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia (as economias de uma pessoa), ao deus-dará e à queima-roupa;
2) os nomes de espécies botânicas e zoológicas, como andorinha-do-mar, bem-te-vi, cana-de-açúcar, coco-da-baía, dente-de-leão, feijão-carioca, feijão-verde, joão-de-barro, limão-taiti e mamão-havaí;
3) os adjetivos pátrios derivados de topônimos compostos, como cruzeirense-do-sul, florentino-do-piauí e mato-grossense-do-sul.

Espero que todos tenham entendido.
Um grande abraço a todos!

Professor Daniel Vícola

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ORTOGRAFIA: USO DA LETRA "X"

Aqui vão algumas dicas sobre o uso da letra "x" na nossa ortografia. Tomem nota:


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

RÁDIO-RELÓGIO OU RADIORRELÓGIO?

A nova ortografia está dando "um nó" na cabeça de muita gente, não é mesmo?
Não há um só encontro em que meus alunos não me perguntem acerca das novas grafias de determinadas palavras.
Como eu sempre faço e recomendo, no caso de uma dúvida muito problemática, procure ajuda confiável! No meu caso, em relação à nova ortografia, sempre recorro aos colegas da Academia Brasileira de Letras: não há fonte mais confiável para consulta do que ela.
Foi numa dessas consultas via e-mail que consegui solucionar um impasse que muito vinha me intrigrando, dada a discrepância de opinião entre autores cujas obras consultei: a grafia da palavra RÁDIO-RELÓGIO.
Vejam, na imagem, reproduzidas na íntegra, pergunta e resposta:



TRAVA-LÍNGUA OU TRAVALÍNGUA?


GUARDA-ROUPA OU GUARDARROUPA?


A dúvida já foi trabalhada, explicada, muito bem esclarecida por mim em outro post. (Se você não viu, é só clicar aqui!) Mas acho que algumas pessoas, que se dizem "conhecedoras" da língua, não ficaram satisfeitas. Dois esclarecimentos, então: não sou professor há dois meses, leciono há 12 anos e, portanto, não cometo erros primários como sair falando sobre o que não conheço ou não pesquisei, logo, não há risco algum de que eu publique informações equivocadas por aqui. Segundo esclarecimento: não publico comentários deselegantes de pessoas que se valem do anonimato para criticar de forma invejosa e amargurada o meu digníssimo trabalho, o qual realizo com comprometimento, qualidade e seriedade.
O vídeo acima, então, é apenas mais um reforço: GUARDA-ROUPA é a forma correta.
Abaixo vocês podem conferir os resultados da busca feita no VOLP, corroborando o que afirmo e já afirmei em outra ocasião. (Se ainda restar alguma dúvida, faça você mesmo(a) uma consulta ao site da Academia Brasileira de Letras e comprove!)


 (Clique nas imagens para visualizá-las melhor.)
 
Bons estudos a todos!
Grande abraço.

Professor Daniel Vícola

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"HISTÓRIA" E "ESTÓRIA": QUE HISTÓRIA É ESSA?

 Vou lhe contar uma história ou estória?

E agora? Você também já se viu às voltas com essa dúvida cruel?
Pois bem, você, mais uma vez, não está sozinho(a)! Perdi as contas de quantas vezes respondi a essa questão ao longo desses quase 12 anos de magistério! Será que existe a palavra "estória"? (Porque "história", temos certeza, existe! E nomeia uma ciência humana muito importante, inclusive!) Vamos entender melhor a questão que ora se nos apresenta.
Vários dicionaristas registram apenas o vocábulo "história", condenando o uso da forma "estória", cristalizada em algum momento do uso popular da língua.
Sim, muitas pessoas, durante seus anos escolares, aprenderam que "estória" se opõe à "história" por se referir a um enredo de ficção, imaginado e não vivido por alguém. Seguindo esse raciocínio, a palavra "história" seria empregrada, então, apenas como sinônimo de "relato", conjunto de fatos reunidos num enredo efetivamente vivido, experienciado por alguém. Como os contos de fadas, por exemplo, são fantasiosos, eles constituiriam aquilo a que alguns chamariam "estórias", não "histórias". Já aquilo que lemos nos livros de "História", teoricamente, é real, justificando a nomenclatura que lhe é atribuída.
Verdade ou mito? Mito, minha gente! E vamos entender o porquê.
Em relação a mais esse quiprocó da nossa língua quero, de início, registrar minha posição pessoal: concordo com o que registra o dicionário Aurélio e uso apenas a forma "história" para me referir a enredos reais ou imaginários, indistintamente. Por quê? Segundo o professor Sérgio Rodrigues: "... a fronteira entre história real (história) e história inventada (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção de dois vocábulos. Todo mundo sabe – ou deveria saber – que a história, bem espremida, é cheia de “estórias”. E vice-versa. Acho mais inteligente deixar a distinção a cargo do contexto." 
Um dado curioso, ainda segundo o mesmo autor, é que "contrariando o que muitos imaginam, estória não é um anglicismo relativamente recente (do século 20), mas uma palavra mais antiga do que história – e, a princípio, com o mesmo significado. É o que informa também o Houaiss: estória foi registrada no século 13 e história, no 14. O melhor dicionário brasileiro acrescenta que, como sinônimo perfeito da segunda, a primeira caiu em desuso, sobrevivendo, hoje, como um regionalismo brasileiro que significa 'narrativa de cunho popular e tradicional'. O que me parece ao mesmo tempo vago e restritivo."
São ensinamentos interessantes de Rodrigues também os seguintes: "Resta a questão da origem da palavra estória, que o Houaiss, embora situando o fato sete séculos antes do que acredita o senso comum, confirma ser o inglês story, também esta uma palavra do século 13. No entanto, vale a pena considerar a hipótese de estória ter derivado – do mesmo modo que story, aliás – do francês arcaico storie, entre outras razões, por sua razoável precedência: data de 1105."
Os adeptos do uso de estória, conforme atestam alguns estudiosos da língua, são minoritários. E um ilustre representante das nossas letras parece ter responsabilidade parcial por essa escolha: o renomado autor regionalista Guimarães Rosa, que usou a palavra no título de um livro, “Primeiras estórias”, datado de 1962 (cujo primeiro conto, inclusive, começa com a frase “Esta é a estória”). Destarte, penso que não podemos dizer que os que grafam estória estejam desprovidos de credenciais - ao menos literárias, deixemos claro! 
Assim, para ser ortograficamente correto, prefira grafar "história" em contextos oficiais, que exijam o emprego da famigerada norma culta. Em contextos mais intimistas, que possibilitem expressão mais livre, artística e solta, a escolha, claro, fica a seu critério! Afinal de contas, como diz o sábio Luís FernandoVeríssimo: "A gramática tem que apanhar muito pra aprender quem é que manda!"
E tenho dito.

Professor Daniel Vícola

sábado, 8 de setembro de 2012

"DE MAIS" OU "DEMAIS"?

 Nossos alunos são comprometidos demais com os estudos!

Prontos para resolver mais uma dúvida recorrente da nossa amada língua?
Numa oração como: 

Sabemos que ela fala demais!
Sabemos que ela fala de mais!

Qual é a forma correta: "demais" ou "de mais"?
Você sabe diferenciar essas duas formas? Saberia, com precisão, determinar qual das versões da oração acima é a correta?
Nosso post de hoje, então, vai esclarecer essa dúvida e eliminar o problema!
Entendamos, pois, as diferenças. O que importa, de fato, para decidirmos o caso de usar a palavra "demais" ou a expressão "de mais" não é propriamente como classificamos uma ou outra, mas o significado apresentado por cada uma delas. 
De modo geral, DEMAIS, numa só palavra, funciona como advérbio de intensidade. Acentua, portanto, o valor de verbo, de um adjetivo ou mesmo de um outro advérbio, apresentando significado próximo ao de "muito", "muitíssimo", "extremamente", "excessivamente", "em demasia". 
Observe os exemplos listados abaixo: 

"A seleção de vôlei jogou demais no último campeonato." 
"Perto demais do fogo, Juanes se queimou." 
"Elisa era linda demais nas suas recordações infantis." 
"Soube que eles escrevem mal demais." 

Perceba que, em todos os casos listados acima, a palavra "demais" está associada a verbo, adjetivo ou advérbio, sempre cumprindo, em relação a todas essas palavras, a função de lhes intensificar o sentido.
Portanto, não se esqueça disso: DEMAIS, quando se refere a VERBOS, ADJETIVOS ou ADVÉRBIOS, é um ADVÉRBIO DE INTENSIDADE, e é uma palavra só: DEMAIS!

Só que a palavra "DEMAIS" também pode ser empregada como pronome indefinido, quase sempre precedida de artigo, com o significado de os outros, os restantes, os mais. Acompanhe o exemplo:

"Foram impedidos poucos candidatos do partido; os demais se deram bem." 

Demais como adjetivo: 

"Os demais candidatos recorreram ao STF e se deram bem." 

"Demais" equivale, ainda, a "além disso", "ademais", "demais disso", "de mais a mais" - em uso pouco frequente; há quem discorde, mas, nessa acepção, alguns gramáticos classificam demais como conjunção coordenativa que introduz uma oração explicativa, às vezes, seguida de vírgula. Curiosa e justificável essa osci­lação, porque a classe adverbial é um tanto difusa, como lembra Celso Cunha em sua Gramática da Língua Portuguesa (Fename, 1982). Exemplos: 

 "Dora disse que não queria mais ser parte daquele setor; demais não leva jeito mesmo." 
 "Não disse nada a ela; demais, não havia o que dizer." 

Já a expressão "DE MAIS", composta por preposição e advérbio, expressa a noção de quantidade, com significado aproximado de a mais, como oposto de de menos. Tem função adjetiva; acompanha, portanto, substantivos ou palavras substantivadas: 

"Maristela perdeu quilos de mais." 
"Está tudo em cima; nem ossos de mais, nem carne de menos." 
"Não houve nada de mais com ela." 

Assim, minha gente, no frigir dos ovos, classificações e definições, "na hora H", pouco importam. O que importa é observar com atenção o sentido da frase para fazer a escolha apropriada.
Espero que tenhamos, aqui, esclarecido mais essa dúvida acerca de expressões de uso cotidiano na língua.
Deixo meu grande abraço a todos.
Até a próxima!

Prof. Daniel Vícola

terça-feira, 4 de setembro de 2012

"EM FÉRIAS" OU "DE FÉRIAS"?

 "De férias" ou "em férias"? Relaxe! O importante é descansar!

A dúvida, hoje, é da Gisele, aluna da Turma Regular da Federal Getussp. Ela me perguntou, em nosso último encontro, a respeito das expressões "em férias" e "de férias": quando usar uma ou outra dessas expressões e em quais contextos. A resposta, então, vem em forma de post, também, para que o conhecimento possa ser compartilhado por todos.
No cotidiano falado da língua percebemos uma infinidade de expressões das quais comumente fazemos uso, sem que, necessariamente, elas estejam de acordo com aquilo que é aconselhado ou prescrito pela gramática. Por isso a consulta a boas fontes é fundamental! Claro que, de modo geral, não há como controlarmos muito as palavras ou expressões na língua falada, uma vez que ela se caracteriza, sobretudo, pelo imediatismo e pela espontaneidade. Mas é prudente - e de muito bom tom! - que você dispense uma atençãozinha maior a tudo aquilo que for registrar por escrito, afinal, é na escrita que os erros e deslizes aparecem de maneira mais evidente. 
No caso da dúvida da Gisele, não podemos falar em erro, uma vez que, segundo consulta empreendida, ambas as formas estão corretas: de férias ou em férias. Vamos analisar alguns exemplos? Acompanhe:

A cidade ficou vazia, pois todos estão de férias
Quero que chegue logo o mês de dezembro: estaremos em férias

Entretanto, há uma ressalva a se fazer (Sim, a gramática sempre tem algum comentário de rodapé com que nos advertir!): quando resolvemos atribuir um adjetivo ao substantivo "férias", recomenda-se usar a expressão “em férias”. Como podemos observar nos exemplos seguintes: 

Os funcionários daquela empresa sairão em férias coletivas
Após o fechamento das notas finais, comunico que todos os nossos alunos estarão em merecidas férias

Simples, não?
Espero que essa dica lhes tenha sido útil!
Grande abraço!

Professor Daniel Vícola

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ESTAMOS "EM PÉ" OU "DE PÉ"?


A dúvida foi levantada pelo aluno Diogo, da Federal Getussp. Alguma vez você também ficou em dúvida a respeito de qual das duas formas utilizar? Pois bem, uma pesquisa em diferentes fontes revelou que, neste caso, são corretas as duas formas de se dizer. Assim, via de regra, para muitos contextos, tanto faz dizer ou escrever "em pé" ou "de pé".
Mas, curioso por maiores explicações, foi em gramáticas portuguesas que encontrei maiores detalhes acerca da utilização dessas expressões. O que aprendi com nossos irmãos portugueses, então, compartilho abaixo, com todos vocês!
Cada um dos falantes da língua escolhe uma ou outra forma conforme lhe parecer melhor, pois que ambas as locuções significam, geralmente, em posição vertical, ereto, firme, levantado. São, pois, do ponto de vista semântico, locuções sinônimas. 
Há, porém, algumas pequenas nuances de significação quanto ao emprego: geralmente dizemos "de pé", quando aludimos à posição contrária à de sentado ou deitado
Veja alguns exemplos:

O meu professor dá as aulas sempre de pé
Fique de pé e ouça-me. 
Estou de pé desde as seis horas da manhã. 
Ficou de pé o dia inteiro para atender as pessoas. 
As árvores morrem de pé

Repare que, em todos os casos, a expressão "de pé" é antônima de "sentado(a)" ou "deitado(a)".

Geralmente dizemos "em pé" quando nos referimos à posição de ereto, firme, levantado, sem pretendermos contrapô-la à de sentado ou deitado. 
Observe alguns exemplos:

O André é aquele que está ali, em pé, perto da Júlia. 
Vou até ao restaurante de comer em pé
Ele farta-se de trabalhar. Anda sempre em pé
Quanto a funcionário, geralmente dizemos que ele está sempre em pé no seu trabalho – sempre em pé para atender as pessoas – e não sempre de pé. Sendo assim, parece que devemos preferir: o funcionário trabalha em pé.

Contudo, como já dissemos, estamos em presença de expressões sinônimas. As diferenças expostas acima dizem respeito apenas às preferências registradas no uso cotidiano da língua, numa tentativa de entender e esclarecer como é que se dá o emprego de tais expressões em atos de comunicação engendrados em língua portuguesa. De maneira geral, por se tratar de uma relação sinonímica, você poderá empregar aquela forma que, no ato de fala, sentir que fica melhor.
Espero que todos tenham aproveitado a pesquisa e esclarecido mais uma dúvida referente à nossa querida língua portuguesa!
Grande abraço a todos.

Professor Daniel Vícola

domingo, 11 de março de 2012

PRESIDENTE OU PRESIDENTA?



 O professor PASQUALE CIPRO NETO tira a dúvida.

Que têm em comum palavras como “pedinte”, “agente”, “fluente”, “gerente”, “caminhante”, “dirigente” etc.? Não é difícil, é? O ponto em comum é a terminação “-nte”, de origem latina. Essa terminação ocorre no particípio presente de verbos portugueses, italianos, espanhóis…
Termos como “presidente”, “dirigente”, “gerente”, entre inúmeros outros, são iguaizinhos nas três línguas, que, é sempre bom lembrar, nasceram do mesmo ventre. E que noção indica a terminação “-nte”? A de “agente”: gerente é quem gere, presidente é quem preside, dirigente é quem dirige e assim por diante.
Normalmente essas palavras têm forma fixa, isto é, são iguais para o masculino e para o feminino; o que muda é o artigo (o/a gerente, o/a dirigente, o/a pagante, o/a pedinte). Em alguns (raros) casos, o uso fixa como alternativas as formas exclusivamente femininas, em que o “e” final dá lugar a um “a”. Um desses casos é o de “parenta”, forma exclusivamente feminina e não obrigatória (pode-se dizer “minha parente” ou “minha parenta”, por exemplo). Outro desses casos é justamente o de “presidenta”: pode-se dizer “a presidente” ou “a presidenta”.
A esta altura alguém talvez já esteja dizendo que, por ser a primeira presidente/a do Brasil, Dilma Rousseff tem o direito de escolher. Sem dúvida nenhuma, ela tem esse e outros direitos. Se ela disser que quer ser chamada de “presidenta”, que seja feita a sua vontade - por que não?

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

À MEDIDA QUE OU NA MEDIDA EM QUE?

"Bem-estar cresce à medida que envelhecemos, diz pesquisa."


Você já ficou em dúvida sobre essas duas expressões? Aposto que sim!
E, não raro, elas podem aparecer numa questão de concurso e roubar algum tempinho de você até que a decisão por uma ou outra seja tomada.
A princípio de conversa, você precisa saber que as duas expressões existem na língua portuguesa, ou seja, não estamos falando de uma expressão correta e outra incorreta, mas de duas expressões corretas, com empregos diferenciados.
É importante entender, então, quando utilizar cada uma delas.
Vamos resolver o impasse?
Observe os exemplos:

1) À medida que estudamos, tornamo-nos mais eficientes.
2) Na medida em que conhecemos as pessoas, tornamo-nos mais incrédulos.

As duas expressões “à medida que” e “na medida em que” são locuções conjuntivas, ou seja, equivalem a uma conjunção. Sendo assim, como já lhes demonstrei em aula, tais locuções têm por objetivo ligar duas orações.
Apesar de desempenharem o mesmo papel, a expressão “à medida que” tem emprego semântico diferente de “na medida em que”. Vamos entender o porquê:

Quando empregamos "à medida que", estamos nos referindo a uma ideia de proporção, ou seja, esta é uma locução conjuntiva proporcional. Essa expressão pode ser substituída por “à proporção que”. Sintaticamente, uma oração que contenha “à medida que” é subordinada à oração principal e mantém com ela uma relação de comparação que pode ser de igualdade, de superioridade ou inferioridade. Veja:

À medida que nós estudarmos, ficaremos mais preparados para a prova.
Nicete foi se emocionando à medida que as homenagens foram sendo apresentadas.

Já a expressão "na medida em que" é uma locução conjuntiva causal, portanto, como a própria nomenclatura denota, haverá noções de causa/consequência em jogo naquelas orações que apresentarem essa expressão. "Na medida em que", semanticamente, equivale a locuções do tipo: “uma vez que”, “porque”, “visto que”, “já que” e “tendo em vista que”. Observe os exemplos seguintes:

Nós precisamos estudar mais na medida em que queremos ser aprovados. (visto que, porque)
O simulado deve ser feito antes de janeiro, na medida em que vamos estar de recesso nesse período. (porque, visto que, já que)

Assim, se você ficar em dúvida, basta substituir as locuções "à medida que" e "na medida em que" por suas formas semanticamente equivalentes e observar se a oração mantém ou não o sentido desejado.
Espero que essas informações tenham sido úteis a você e que, a partir de agora, a distinção entre uma expressão e outra tenha ficado clara em seu raciocínio linguístico.
Até a próxima!
Grande abraço do

Professor Daniel Vícola

terça-feira, 22 de março de 2011

PROPOSITALMENTE ou PROPOSITADAMENTE?


Como sempre alerto aos alunos, nossa língua tem mistérios que a própria gramática desconhece. Pode ser numa conjugação verbal, na grafia esdrúxula de um termo, numa palavra que você jura - de pés juntos! - não existir e, quando vai consultar os bons dicionários, acaba descobrindo que existe, sim, e é, por incrível que pareça, até recomendada pelos defensores da norma culta.
É, minha gente, estudar nosso rico idioma é isso aí: estar sempre às voltas com dúvidas, as mais variadas possíveis!
O que me traz aqui, hoje, é a dúvida da Mirian, aluna da Turma Regular do GETUSP, que me perguntou, em sala de aula, o seguinte:

"Qual a forma correta, professor: PROPOSITALMENTE ou PROPOSITADAMENTE?"

E lá fui eu consultar todas as minhas mais seguras fontes para sanar mais essa dúvidae compartilhar a informação com os leitores do blogue.
Via de regra, o que os grandes dicionaristas da nossa língua registram como forma vernácula é o advérbio PROPOSITADAMENTE, derivado do adjetivo PROPOSITADO, ou seja "feito de propoósito".
De acordo com o padrão culto, então, parece-me, diante da pesquisa realizada, que a preferência lexical está com essa forma.
Contudo, alguns outros estudiosos da língua parecem não fechar as portas de todo para a variação PROPOSITALMENTE, mostrando-nos que, enquanto fruto de um processo de derivação sufixal, essa forma é totalmente válida, uma vez que o adjetivo PROPOSITAL existe, de fato, no vocabulário da língua e, portando, assim como acontece com PROPOSITADO, também pode dar origem a novas palavras como,  no caso, o advérbio PROPOSITALMENTE.
Aqueles que defendem a existência de PROPOSITALMENTE, contudo, fazem uma ressalva: por não ser forma dicionarizada, embora perfeitamente concebível para os padrões de formação de palavras do português, eles recomendam que, em contextos mais formais, se utilize a forma vernácula PROPOSITADAMENTE.
E é isso, minha gente. A língua sempre nos levando a refletir sobre suas possibilidades e seus usos.
Espero ter contribuído com os estudos de todos vocês!
Grande abraço.

Professor Daniel Vícola

sábado, 23 de outubro de 2010

PATRULHA ORTOGRÁFICA #01 (PARTE II)


A finalização de nossa primeiríssima PATRULHA ORTOGRÁFICA.

PATRULHA ORTOGRÁFICA #01 (PARTE I)


Essa é a primeira parte do PATRULHA ORTOGRÁFICA de estreia. Espero que todos possam aproveitar as informações desse novo quadro e que compartilhem comigo suas dúvidas e opiniões para os próximos.
A segunda parte virá logo na sequência.
Grande abraço a todos os queridos!

Professor Daniel Vícola