quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Correção da Prova do TJ - Assistente Social e Psicólogo

Correção da Prova do TJ - Assistente Social e Psicólogo, dezembro de 2012 (PARTE I)


Atendendo a pedidos, vou postar e comentar, aqui, as questões da prova de Língua Portuguesa do concurso do TJ para Assistente Social e Psicólogo. A prova foi elaborada pela VUNESP e foi constituída por 20 questões. Vamos à análise das dez primeiras:


QUESTÃO 01: Uma questão de nível fácil, exigia apenas o reconhecimento da função de APOSTO, devidamente explicitada no conteúdo do enunciado. Entendendo a função, era muito simples identificar o segmento contido na ALTERNATIVA E como sendo a resposta desejada, vez que o trecho "organizações criminosas lideradas por policiais e ex-policiais", devidamente isolado por VÍRGULAS, explica a expressão anterior: "as milícias".


QUESTÃO 02: Outra questão de nível fácil. Mais uma vez o candidato era levado a reconhecer uma determinada função sintática, no caso, a função de ADJUNTO ADVERBIAL DE MODO. Como sabemos, o adjunto adverbial de modo conecta-se ao VERBO indicando COMO acontece a ação por ele expressa. No texto em questão, a expressão "à base do assistencialismo e do medo" indica COMO as milícias consolidaram o seu poder. A resposta correta é a contida na ALTERNATIVA C.

QUESTÃO 03: Uma questão de nível médio-difícil, porque exigia conhecimento apurado sobre tempos e modos verbais. Para aqueles que não conseguem identificar essas noções, certamente a questão foi uma "tortura"! Nesses casos, mais do que o conhecimento sobre a conjugação dos verbos, cabe lembrar, entra em jogo a sua experiência de LEITOR e PRODUTOR de TEXTOS em língua portuguesa. Como digo sempre nas nossas aulas: use da sua "intuição linguística" para identificar conjugações erradas ou impossíveis. O enunciado trazia o verbo VIR e, nas alternativas, outros vervos, derivados dele, para que o candidato analisasse a flexão nos trechos dados. Uma a uma, temos:

(A) Os problemas que adviram (ADVIERAM seria a forma verbal correta, neste caso) da greve ainda não estão superados.
(B) Se o problema proviesse do sistema informatizado, seria fácil resolvê-lo. (CORRETA!)
(C) Para que os litigantes não se desavissem (DESAVIESSEM seria a forma correta), foi proposto um acordo.
(D) O Ministério Público interviu (INTERVEIO é a forma correta) na questão e denunciou os envolvidos no escândalo.
(E) As autoridades só agirão se lhes convir (CONVIER é a forma correta) fazê-lo.

Importante frisar que o fato de mencionar que todos os verbos das alternativas são DERIVADOS DE "VIR" é um facilitador considerável para análise das formas verbais: muitas pessoas conjugam tais verbos como se fossem derivados de VER e não de VIR.
Resposta correta: ALTERNATIVA B.

  

QUESTÃO 04: Semântica pura, minha gente. Você tinha que identificar o valor CAUSAL da conjunção COMO e selecionar outra conjunção que mantivesse essa mesma relação semântica (de sentido) com o contexto, o que só ocorreria através da substituição de COMO por PORQUE, que aparece na ALTERNATIVA A. Questão de nível fácil.

QUESTÃO 05: Pronomes e sua colocação na oração eram o contéudo dessa questão de nível fácil. Analisemos as alternativas:

(A) (Nos) surpreende, a cada dia, constatar a invasão das milícias, que espalham-(se) pelas favelas, ditando-(as) suas leis. 
Versão correta: Surpreende-nos, a cada dia, constatar a invasão das milícias, que se espalham pelas favelas, ditando-lhes suas leis.

(B) Depois de invadir vários territórios da cidade, as milícias dominaram (eles) e ali instalaram-(se). 
Versão correta: Depois de invadir vários territórios da cidade, as milícias os dominaram e ali se instalaram.

(C) Há candidatos que usam as gangues: (as) procuram movidos pelo interesse em ter (elas) como aliadas. Versão correta: Há candidatos que usam as gangues: procuram-nas movidos pelo interesse em tê-las como aliadas.

(D) Quase nunca vê-se reação das comunidades diante do terror que as milícias (as) impõem. 
Versão correta: Quase nunca vê-se reação das comunidades diante do terror que as milícias lhes impõem.

(E) Milicianos instalam-se nas comunidades e impõem seu poder; consolidam-no pela prática do terror. (CORRETA!)


QUESTÃO 06: Cabia ao candidato reconhecer e empregar corretamente as palavras homófonas HÁ, A e a contração À. Questão simples, que exigia apenas um pouco de atenção.

A (indica TEMPO FUTURO, portanto, não poderia ser "HÁ"!) pouco mais de um mês da próxima eleição presidencial dos Estados Unidos, o favoritismo de Barack Obama sofreu um arranhão. Não HÁ (parte da construção HAVER QUE, ou HAVER DE) que estranhar a dificuldade de Obama quando tem de falar de improviso ou exercer À (Introduzindo uma expressão adverbial de modo, que tem como núcleo palavra feminina) queima-roupa o contraditório. Obama é instado, agora, A (preposição) preparar-se muito melhor para os dois outros debates.

RESPOSTA: ALTERNATIVA D.

QUESTÃO 07:
Questão de ortografia. Simples, sem complicações. Vou reproduzir as alternativas e colocar as palavras erradas entre parênteses:

(A) Diante da (paralização) das atividades dos agentes dos correios, pede-se a (compreenção) de todos, pois (ouve) exceções na distribuição dos processos.
Formas corretas: paralisação, compreensão, houve.

(B) O (revesamento) dos (funcionarios) entre o Natal e o Ano Novo será feito mediante sorteio, para que não ocorra (descriminação).
Formas corretas: revezamento, funcionários, discriminação.

(C) Durante o período de recessão, os chefes serão (encumbidos) de controlar a (imissão) de faxes e (copias) xerox.
Formas corretas: incumbidos, emissão, cópias.


(D) A concessão de férias obedece a critérios legais, o mesmo ocorrendo com os casos de rescisão contratual.
ALTERNATIVA CORRETA!


(E) É certo que os cuidados com o educando devem dobrar durante a (adolecencia), para que o jovem (haja) sempre de acordo com a lei.
Formas corretas: adolescência, aja.

  

QUESTÃO 08: Questão de nível fácil, sem maiores dificuldades para o candidato. Bastava observar as normas de concordância e os preceitos de coesão e coerência para responder com tranquilidade a esta questão. Resposta: ALTERNATIVA C.



QUESTÃO 09: Questão de nível fácil, colocava em jogo uma possível relação de sinonímia para o termo "nababesco", dando, anteriormente, uma importante referência contextual ao afirmar que "A opulência dos nababos, o equivalente muçulmano dos marajás da Índia no século XVI...". Ora, se apresenta opulência e equivale aos marajás indianos, o adjetivo formado a partir de "nababo" só pode significar "OSTENTOSA, LUXUOSA", como sugere a ALTERNATIVA A.

QUESTÃO 10: Uma questão de CONCORDÂNCIA VERBAL, ou seja, você deveria ficar de olho na relação SUJEITO-VERBO para verificar se não havia incongruências nela. Vejamos:
(A) A empresa atua no setor moveleiro já fazem mais de 50 anos, sempre com sucesso.
Corrigindo: A empresa atua no setor moveleiro já FAZ mais de 50 anos, sempre com sucesso.
(B) A análise dos casos revelou que se tratam de problemas de falta de comprometimento.
Corrigindo: A análise dos casos revelou que SE TRATA (lembre-se de que TRATAR-SE é INVARIÁVEL!) de problemas de falta de comprometimento.
(C) É possível que ainda exista no mercado brasileiro algumas empresas que não seguem o padrão ISO de qualidade.
Corrigindo: É possível que ainda EXISTAM no mercado brasileiro algumas empresas que não seguem o padrão ISO de qualidade.
(D) Nas avaliações, destacam-se os servidores do legislativo comprometidos com o bom atendimento ao público.
ALTERNATIVA CORRETA!
(E) Vi muitos professores deixarem de dar inúmeras aulas e nada acontecerem com eles.
Corrigindo: Vi muitos professores deixarem de dar inúmeras aulas e nada ACONTECER com eles.

Amanhã postarei a segunda parte da resolução comentada da prova!
Grande abraço a todos.

Professor Daniel Vícola
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ORTOGRAFIA: USO DA LETRA "X"

Aqui vão algumas dicas sobre o uso da letra "x" na nossa ortografia. Tomem nota:


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

RÁDIO-RELÓGIO OU RADIORRELÓGIO?

A nova ortografia está dando "um nó" na cabeça de muita gente, não é mesmo?
Não há um só encontro em que meus alunos não me perguntem acerca das novas grafias de determinadas palavras.
Como eu sempre faço e recomendo, no caso de uma dúvida muito problemática, procure ajuda confiável! No meu caso, em relação à nova ortografia, sempre recorro aos colegas da Academia Brasileira de Letras: não há fonte mais confiável para consulta do que ela.
Foi numa dessas consultas via e-mail que consegui solucionar um impasse que muito vinha me intrigrando, dada a discrepância de opinião entre autores cujas obras consultei: a grafia da palavra RÁDIO-RELÓGIO.
Vejam, na imagem, reproduzidas na íntegra, pergunta e resposta:



DE OLHO NA REGÊNCIA!


TRAVA-LÍNGUA OU TRAVALÍNGUA?


GUARDA-ROUPA OU GUARDARROUPA?


A dúvida já foi trabalhada, explicada, muito bem esclarecida por mim em outro post. (Se você não viu, é só clicar aqui!) Mas acho que algumas pessoas, que se dizem "conhecedoras" da língua, não ficaram satisfeitas. Dois esclarecimentos, então: não sou professor há dois meses, leciono há 12 anos e, portanto, não cometo erros primários como sair falando sobre o que não conheço ou não pesquisei, logo, não há risco algum de que eu publique informações equivocadas por aqui. Segundo esclarecimento: não publico comentários deselegantes de pessoas que se valem do anonimato para criticar de forma invejosa e amargurada o meu digníssimo trabalho, o qual realizo com comprometimento, qualidade e seriedade.
O vídeo acima, então, é apenas mais um reforço: GUARDA-ROUPA é a forma correta.
Abaixo vocês podem conferir os resultados da busca feita no VOLP, corroborando o que afirmo e já afirmei em outra ocasião. (Se ainda restar alguma dúvida, faça você mesmo(a) uma consulta ao site da Academia Brasileira de Letras e comprove!)


 (Clique nas imagens para visualizá-las melhor.)
 
Bons estudos a todos!
Grande abraço.

Professor Daniel Vícola

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

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Muitas dicas, tirinhas, bom humor e conteúdo esperando por você!
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PLURAL DE FORMAS NO DIMINUTIVO

A dúvida me chegou via e-mail, mas achei por bem compartilhar a resposta com todos os leitores do blog!
Vamos aprender um pouco mais sobre o plural de palavras no diminutivo? Acompanhe:


terça-feira, 2 de outubro de 2012

"HISTÓRIA" E "ESTÓRIA": QUE HISTÓRIA É ESSA?

 Vou lhe contar uma história ou estória?

E agora? Você também já se viu às voltas com essa dúvida cruel?
Pois bem, você, mais uma vez, não está sozinho(a)! Perdi as contas de quantas vezes respondi a essa questão ao longo desses quase 12 anos de magistério! Será que existe a palavra "estória"? (Porque "história", temos certeza, existe! E nomeia uma ciência humana muito importante, inclusive!) Vamos entender melhor a questão que ora se nos apresenta.
Vários dicionaristas registram apenas o vocábulo "história", condenando o uso da forma "estória", cristalizada em algum momento do uso popular da língua.
Sim, muitas pessoas, durante seus anos escolares, aprenderam que "estória" se opõe à "história" por se referir a um enredo de ficção, imaginado e não vivido por alguém. Seguindo esse raciocínio, a palavra "história" seria empregrada, então, apenas como sinônimo de "relato", conjunto de fatos reunidos num enredo efetivamente vivido, experienciado por alguém. Como os contos de fadas, por exemplo, são fantasiosos, eles constituiriam aquilo a que alguns chamariam "estórias", não "histórias". Já aquilo que lemos nos livros de "História", teoricamente, é real, justificando a nomenclatura que lhe é atribuída.
Verdade ou mito? Mito, minha gente! E vamos entender o porquê.
Em relação a mais esse quiprocó da nossa língua quero, de início, registrar minha posição pessoal: concordo com o que registra o dicionário Aurélio e uso apenas a forma "história" para me referir a enredos reais ou imaginários, indistintamente. Por quê? Segundo o professor Sérgio Rodrigues: "... a fronteira entre história real (história) e história inventada (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção de dois vocábulos. Todo mundo sabe – ou deveria saber – que a história, bem espremida, é cheia de “estórias”. E vice-versa. Acho mais inteligente deixar a distinção a cargo do contexto." 
Um dado curioso, ainda segundo o mesmo autor, é que "contrariando o que muitos imaginam, estória não é um anglicismo relativamente recente (do século 20), mas uma palavra mais antiga do que história – e, a princípio, com o mesmo significado. É o que informa também o Houaiss: estória foi registrada no século 13 e história, no 14. O melhor dicionário brasileiro acrescenta que, como sinônimo perfeito da segunda, a primeira caiu em desuso, sobrevivendo, hoje, como um regionalismo brasileiro que significa 'narrativa de cunho popular e tradicional'. O que me parece ao mesmo tempo vago e restritivo."
São ensinamentos interessantes de Rodrigues também os seguintes: "Resta a questão da origem da palavra estória, que o Houaiss, embora situando o fato sete séculos antes do que acredita o senso comum, confirma ser o inglês story, também esta uma palavra do século 13. No entanto, vale a pena considerar a hipótese de estória ter derivado – do mesmo modo que story, aliás – do francês arcaico storie, entre outras razões, por sua razoável precedência: data de 1105."
Os adeptos do uso de estória, conforme atestam alguns estudiosos da língua, são minoritários. E um ilustre representante das nossas letras parece ter responsabilidade parcial por essa escolha: o renomado autor regionalista Guimarães Rosa, que usou a palavra no título de um livro, “Primeiras estórias”, datado de 1962 (cujo primeiro conto, inclusive, começa com a frase “Esta é a estória”). Destarte, penso que não podemos dizer que os que grafam estória estejam desprovidos de credenciais - ao menos literárias, deixemos claro! 
Assim, para ser ortograficamente correto, prefira grafar "história" em contextos oficiais, que exijam o emprego da famigerada norma culta. Em contextos mais intimistas, que possibilitem expressão mais livre, artística e solta, a escolha, claro, fica a seu critério! Afinal de contas, como diz o sábio Luís FernandoVeríssimo: "A gramática tem que apanhar muito pra aprender quem é que manda!"
E tenho dito.

Professor Daniel Vícola

CURSO DE PORTUGUÊS BÁSICO PARA CONCURSOS