segunda-feira, 12 de novembro de 2012

RÁDIO-RELÓGIO OU RADIORRELÓGIO?

A nova ortografia está dando "um nó" na cabeça de muita gente, não é mesmo?
Não há um só encontro em que meus alunos não me perguntem acerca das novas grafias de determinadas palavras.
Como eu sempre faço e recomendo, no caso de uma dúvida muito problemática, procure ajuda confiável! No meu caso, em relação à nova ortografia, sempre recorro aos colegas da Academia Brasileira de Letras: não há fonte mais confiável para consulta do que ela.
Foi numa dessas consultas via e-mail que consegui solucionar um impasse que muito vinha me intrigrando, dada a discrepância de opinião entre autores cujas obras consultei: a grafia da palavra RÁDIO-RELÓGIO.
Vejam, na imagem, reproduzidas na íntegra, pergunta e resposta:



DE OLHO NA REGÊNCIA!


TRAVA-LÍNGUA OU TRAVALÍNGUA?


GUARDA-ROUPA OU GUARDARROUPA?


A dúvida já foi trabalhada, explicada, muito bem esclarecida por mim em outro post. (Se você não viu, é só clicar aqui!) Mas acho que algumas pessoas, que se dizem "conhecedoras" da língua, não ficaram satisfeitas. Dois esclarecimentos, então: não sou professor há dois meses, leciono há 12 anos e, portanto, não cometo erros primários como sair falando sobre o que não conheço ou não pesquisei, logo, não há risco algum de que eu publique informações equivocadas por aqui. Segundo esclarecimento: não publico comentários deselegantes de pessoas que se valem do anonimato para criticar de forma invejosa e amargurada o meu digníssimo trabalho, o qual realizo com comprometimento, qualidade e seriedade.
O vídeo acima, então, é apenas mais um reforço: GUARDA-ROUPA é a forma correta.
Abaixo vocês podem conferir os resultados da busca feita no VOLP, corroborando o que afirmo e já afirmei em outra ocasião. (Se ainda restar alguma dúvida, faça você mesmo(a) uma consulta ao site da Academia Brasileira de Letras e comprove!)


 (Clique nas imagens para visualizá-las melhor.)
 
Bons estudos a todos!
Grande abraço.

Professor Daniel Vícola

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

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PLURAL DE FORMAS NO DIMINUTIVO

A dúvida me chegou via e-mail, mas achei por bem compartilhar a resposta com todos os leitores do blog!
Vamos aprender um pouco mais sobre o plural de palavras no diminutivo? Acompanhe:


terça-feira, 2 de outubro de 2012

"HISTÓRIA" E "ESTÓRIA": QUE HISTÓRIA É ESSA?

 Vou lhe contar uma história ou estória?

E agora? Você também já se viu às voltas com essa dúvida cruel?
Pois bem, você, mais uma vez, não está sozinho(a)! Perdi as contas de quantas vezes respondi a essa questão ao longo desses quase 12 anos de magistério! Será que existe a palavra "estória"? (Porque "história", temos certeza, existe! E nomeia uma ciência humana muito importante, inclusive!) Vamos entender melhor a questão que ora se nos apresenta.
Vários dicionaristas registram apenas o vocábulo "história", condenando o uso da forma "estória", cristalizada em algum momento do uso popular da língua.
Sim, muitas pessoas, durante seus anos escolares, aprenderam que "estória" se opõe à "história" por se referir a um enredo de ficção, imaginado e não vivido por alguém. Seguindo esse raciocínio, a palavra "história" seria empregrada, então, apenas como sinônimo de "relato", conjunto de fatos reunidos num enredo efetivamente vivido, experienciado por alguém. Como os contos de fadas, por exemplo, são fantasiosos, eles constituiriam aquilo a que alguns chamariam "estórias", não "histórias". Já aquilo que lemos nos livros de "História", teoricamente, é real, justificando a nomenclatura que lhe é atribuída.
Verdade ou mito? Mito, minha gente! E vamos entender o porquê.
Em relação a mais esse quiprocó da nossa língua quero, de início, registrar minha posição pessoal: concordo com o que registra o dicionário Aurélio e uso apenas a forma "história" para me referir a enredos reais ou imaginários, indistintamente. Por quê? Segundo o professor Sérgio Rodrigues: "... a fronteira entre história real (história) e história inventada (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção de dois vocábulos. Todo mundo sabe – ou deveria saber – que a história, bem espremida, é cheia de “estórias”. E vice-versa. Acho mais inteligente deixar a distinção a cargo do contexto." 
Um dado curioso, ainda segundo o mesmo autor, é que "contrariando o que muitos imaginam, estória não é um anglicismo relativamente recente (do século 20), mas uma palavra mais antiga do que história – e, a princípio, com o mesmo significado. É o que informa também o Houaiss: estória foi registrada no século 13 e história, no 14. O melhor dicionário brasileiro acrescenta que, como sinônimo perfeito da segunda, a primeira caiu em desuso, sobrevivendo, hoje, como um regionalismo brasileiro que significa 'narrativa de cunho popular e tradicional'. O que me parece ao mesmo tempo vago e restritivo."
São ensinamentos interessantes de Rodrigues também os seguintes: "Resta a questão da origem da palavra estória, que o Houaiss, embora situando o fato sete séculos antes do que acredita o senso comum, confirma ser o inglês story, também esta uma palavra do século 13. No entanto, vale a pena considerar a hipótese de estória ter derivado – do mesmo modo que story, aliás – do francês arcaico storie, entre outras razões, por sua razoável precedência: data de 1105."
Os adeptos do uso de estória, conforme atestam alguns estudiosos da língua, são minoritários. E um ilustre representante das nossas letras parece ter responsabilidade parcial por essa escolha: o renomado autor regionalista Guimarães Rosa, que usou a palavra no título de um livro, “Primeiras estórias”, datado de 1962 (cujo primeiro conto, inclusive, começa com a frase “Esta é a estória”). Destarte, penso que não podemos dizer que os que grafam estória estejam desprovidos de credenciais - ao menos literárias, deixemos claro! 
Assim, para ser ortograficamente correto, prefira grafar "história" em contextos oficiais, que exijam o emprego da famigerada norma culta. Em contextos mais intimistas, que possibilitem expressão mais livre, artística e solta, a escolha, claro, fica a seu critério! Afinal de contas, como diz o sábio Luís FernandoVeríssimo: "A gramática tem que apanhar muito pra aprender quem é que manda!"
E tenho dito.

Professor Daniel Vícola

CURSO DE PORTUGUÊS BÁSICO PARA CONCURSOS


sábado, 8 de setembro de 2012

"DE MAIS" OU "DEMAIS"?

 Nossos alunos são comprometidos demais com os estudos!

Prontos para resolver mais uma dúvida recorrente da nossa amada língua?
Numa oração como: 

Sabemos que ela fala demais!
Sabemos que ela fala de mais!

Qual é a forma correta: "demais" ou "de mais"?
Você sabe diferenciar essas duas formas? Saberia, com precisão, determinar qual das versões da oração acima é a correta?
Nosso post de hoje, então, vai esclarecer essa dúvida e eliminar o problema!
Entendamos, pois, as diferenças. O que importa, de fato, para decidirmos o caso de usar a palavra "demais" ou a expressão "de mais" não é propriamente como classificamos uma ou outra, mas o significado apresentado por cada uma delas. 
De modo geral, DEMAIS, numa só palavra, funciona como advérbio de intensidade. Acentua, portanto, o valor de verbo, de um adjetivo ou mesmo de um outro advérbio, apresentando significado próximo ao de "muito", "muitíssimo", "extremamente", "excessivamente", "em demasia". 
Observe os exemplos listados abaixo: 

"A seleção de vôlei jogou demais no último campeonato." 
"Perto demais do fogo, Juanes se queimou." 
"Elisa era linda demais nas suas recordações infantis." 
"Soube que eles escrevem mal demais." 

Perceba que, em todos os casos listados acima, a palavra "demais" está associada a verbo, adjetivo ou advérbio, sempre cumprindo, em relação a todas essas palavras, a função de lhes intensificar o sentido.
Portanto, não se esqueça disso: DEMAIS, quando se refere a VERBOS, ADJETIVOS ou ADVÉRBIOS, é um ADVÉRBIO DE INTENSIDADE, e é uma palavra só: DEMAIS!

Só que a palavra "DEMAIS" também pode ser empregada como pronome indefinido, quase sempre precedida de artigo, com o significado de os outros, os restantes, os mais. Acompanhe o exemplo:

"Foram impedidos poucos candidatos do partido; os demais se deram bem." 

Demais como adjetivo: 

"Os demais candidatos recorreram ao STF e se deram bem." 

"Demais" equivale, ainda, a "além disso", "ademais", "demais disso", "de mais a mais" - em uso pouco frequente; há quem discorde, mas, nessa acepção, alguns gramáticos classificam demais como conjunção coordenativa que introduz uma oração explicativa, às vezes, seguida de vírgula. Curiosa e justificável essa osci­lação, porque a classe adverbial é um tanto difusa, como lembra Celso Cunha em sua Gramática da Língua Portuguesa (Fename, 1982). Exemplos: 

 "Dora disse que não queria mais ser parte daquele setor; demais não leva jeito mesmo." 
 "Não disse nada a ela; demais, não havia o que dizer." 

Já a expressão "DE MAIS", composta por preposição e advérbio, expressa a noção de quantidade, com significado aproximado de a mais, como oposto de de menos. Tem função adjetiva; acompanha, portanto, substantivos ou palavras substantivadas: 

"Maristela perdeu quilos de mais." 
"Está tudo em cima; nem ossos de mais, nem carne de menos." 
"Não houve nada de mais com ela." 

Assim, minha gente, no frigir dos ovos, classificações e definições, "na hora H", pouco importam. O que importa é observar com atenção o sentido da frase para fazer a escolha apropriada.
Espero que tenhamos, aqui, esclarecido mais essa dúvida acerca de expressões de uso cotidiano na língua.
Deixo meu grande abraço a todos.
Até a próxima!

Prof. Daniel Vícola

quinta-feira, 6 de setembro de 2012