terça-feira, 31 de janeiro de 2012

À MEDIDA QUE OU NA MEDIDA EM QUE?

"Bem-estar cresce à medida que envelhecemos, diz pesquisa."


Você já ficou em dúvida sobre essas duas expressões? Aposto que sim!
E, não raro, elas podem aparecer numa questão de concurso e roubar algum tempinho de você até que a decisão por uma ou outra seja tomada.
A princípio de conversa, você precisa saber que as duas expressões existem na língua portuguesa, ou seja, não estamos falando de uma expressão correta e outra incorreta, mas de duas expressões corretas, com empregos diferenciados.
É importante entender, então, quando utilizar cada uma delas.
Vamos resolver o impasse?
Observe os exemplos:

1) À medida que estudamos, tornamo-nos mais eficientes.
2) Na medida em que conhecemos as pessoas, tornamo-nos mais incrédulos.

As duas expressões “à medida que” e “na medida em que” são locuções conjuntivas, ou seja, equivalem a uma conjunção. Sendo assim, como já lhes demonstrei em aula, tais locuções têm por objetivo ligar duas orações.
Apesar de desempenharem o mesmo papel, a expressão “à medida que” tem emprego semântico diferente de “na medida em que”. Vamos entender o porquê:

Quando empregamos "à medida que", estamos nos referindo a uma ideia de proporção, ou seja, esta é uma locução conjuntiva proporcional. Essa expressão pode ser substituída por “à proporção que”. Sintaticamente, uma oração que contenha “à medida que” é subordinada à oração principal e mantém com ela uma relação de comparação que pode ser de igualdade, de superioridade ou inferioridade. Veja:

À medida que nós estudarmos, ficaremos mais preparados para a prova.
Nicete foi se emocionando à medida que as homenagens foram sendo apresentadas.

Já a expressão "na medida em que" é uma locução conjuntiva causal, portanto, como a própria nomenclatura denota, haverá noções de causa/consequência em jogo naquelas orações que apresentarem essa expressão. "Na medida em que", semanticamente, equivale a locuções do tipo: “uma vez que”, “porque”, “visto que”, “já que” e “tendo em vista que”. Observe os exemplos seguintes:

Nós precisamos estudar mais na medida em que queremos ser aprovados. (visto que, porque)
O simulado deve ser feito antes de janeiro, na medida em que vamos estar de recesso nesse período. (porque, visto que, já que)

Assim, se você ficar em dúvida, basta substituir as locuções "à medida que" e "na medida em que" por suas formas semanticamente equivalentes e observar se a oração mantém ou não o sentido desejado.
Espero que essas informações tenham sido úteis a você e que, a partir de agora, a distinção entre uma expressão e outra tenha ficado clara em seu raciocínio linguístico.
Até a próxima!
Grande abraço do

Professor Daniel Vícola

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

EXERCÍCIOS SOBRE CRASE - VAMOS PRATICAR?


Muito cobrado, muito exigido pelas provas de língua portuguesa é o conhecimento acerca do acento indicador de CRASE, que nada mais é que o fenômeno da junção de dois sons vocálicos idênticos o que, no português moderno, se trata do encontro do A (preposição) com o A (artigo ou vogal que inicia os pronomes demonstrativos AQUELE, AQUILO, AQUELA).
Espero que você esteja pronto(a) para o desafio e se concentre na resolução das questões!
Ao final da bateria de testes você encontrará o gabarito!
Boa sorte!

Professor Daniel Vícola

01) Em qual das alternativas o uso do acento indicativo de crase é facultativo?

a) Minhas ideias são semelhantes às ideias dele.
b) Ele tem um estilo à Eça de Queiroz
c) Dei um presente à Mariana.
d) Fizemos alusão à mesma teoria.
e) Cortou o cabelo à Gal Costa.

02) "O pobre fica ___ meditar, ___ tarde, indiferente ___ que acontece ao seu redor".

a) à - a - aquilo
b) a - a - àquilo
c) a - à - àquilo
d) à - à - aquilo
e) à - à - àquilo

03) "A casa fica ___ direita de quem sobe a rua, ___ duas quadras da Avenida Central".

a) à - há
b) a - à
c) a - há
d) à - a
e) à - à

04) "O grupo obedece ___ comando de um pernambucano, radicado ___ tempos em São Paulo, e se exibe diariamente ___ hora do almoço".

a) o - à - a
b) ao - há - à
c) ao - a - a
d) o - há - a
e) o - a - a

05) "Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas já expostos ___ V. Sª ___ alguns dias".

a) à - àqueles - a - há
b) a - àqueles - a - há
c) a - aqueles - à - a
d) à - àqueles - a - a
e) a - aqueles - à - há

06) Assinale a frase gramaticalmente correta:

a) O Papa caminhava à passo firme.
b) Dirigiu-se ao tribunal disposto à falar ao juiz.
c) Chegou à noite, precisamente as dez horas.
d) Esta é a casa à qual me referi ontem, às pressas.
e) Ora aspirava a isto, ora aquilo, ora a nada.

07) O Ministro informou que iria resistir _____ pressões contrárias _____ modificações relativas _____ aquisição da casa própria.

a) às - àquelas _ à
b) as - aquelas - a
c) às àquelas - a
d) às - aquelas - à
e) as - àquelas - à

08) A alusão _____ lembranças da casa materna trazia _____ tona uma vivência _____ qual já havia renunciado.

a) às - a - a
b) as - à - há
c) as - a - à
d) às - à - à
e) às - a - há

09) _____ Igreja cabe propugnar pelos princípios éticos e morais que devem reger _____ vida das comunidades, enquanto _____ política deve visar ao bem comum.

a) A - à - à
b) À - a - a
c) À - à - a
d) À - à - à
e) A - a - a

10) _____ dias não se consegue chegar _____ nenhuma das localidades _____ que os socorros se destinam.

a) Há - à - a
b) A - a - a
c) À - à - a
d) Há - a - a
e) À - a - a

11)  Fique _____ vontade; estou _____ seu inteiro dispor para ouvir o que tem _____ dizer.

a) a - à - a
b) à - a - a
c) à - à - a
d) à - à - à
e) a - a - a

12) No tocante _____ empresa _____ que nos propusemos _____ dois meses, nada foi possível fazer.

a) àquela - à - à
b) aquela - a - a
c) àquela - à - há
d) aquela - à - à
e) àquela - a - há

13) Chegou-se _____ conclusão de que a escola também é importante devido _____ merenda escolar que é distribuída gratuitamente _____ todas as crianças.

a) à - à - à
b) a - à - a
c) a - à - à
d) à - à - a
e) à - a - a

14) A tese _____ aderimos não é aquela _____ defendêramos no debate sobre os resultados da pesquisa.

a) a qual - que
b) a que - que
c) à que - a que
d) a que - a que
e) a qual a que

15) Em relação _____ mímica, deve-se dizer que ela exerce função paralela _____ da linguagem.

a) a - a
b) à - a
c) a - à
d) à - àquela
e) a - àquela

Agora, confira seu desempenho através do gabarito:

1 C / 2 C / 3 D / 4 B / 5 B / 6 D / 7 A / 8 D / 9 B / 10 D / 11 B / 12 E / 13 D / 14 B / 15 D 

Fonte dessa lista de exercícios: Site PCI Concursos

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ENTENDA A NOVA ORTOGRAFIA


 E o fato é simplesmente um: ninguém gosta dela, muitos discordam dela, outros sequer a admitem como acréscimo ou evolução, mas tão simplesmente como um grande e desnecessário quiprocó no universo das letras.
Gostando ou não, o período de convivência entre a norma antiga e as novas regras ortográficas chega ao fim no próximo ano e, como você bem deve saber, está mais do que na hora de ficar por dentro do assunto e, mesmo relutando, tentar entender e colocar em prática as mudanças.
Para ajudá-los nessa ingrata e difícil tarefa, aqui vão alguns sempre bem-vindos (palavra que continua sendo escrita assim, com hífen!) esclarecimentos.

O QUE É O NOVA REFORMA ORTOGRÁFICA DA LÍNGUA PORTUGUESA?

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi elaborado há 18 anos e só agora sai do papel para ser adotado a partir do ano que vem. O objetivo dessa reforma é sincronizar a ortografia de todos os países que falam português, acabando com as diferenças existentes entre eles.

Esse acordo atinge todos os países da Comunidade de de Países de Língua portuguesa, e já foi ratificado por Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Os demais países que ainda não ratificaram o acordo, na teoria, não fazem muita diferença e serão obrigados a usar o nova ortografia, uma vez que basta a assinatura de três integrantes da comunidade para se adotar uma mudança.

No Brasil, a partir de 2009, será adotada a nova ortografia e, entre 2010 e 2012, será o período de transição, onde tanto a ortografia antiga quanto a nova serão aceitas e, a partir de 2012, somente a nova ortografia será aceita.

O QUE MUDA NO BRASIL?

No Brasil, somente 0,6% (aprox) das palavras serão afetadas. Veja abaixo as mudanças:

TREMA
Deixará de existir em todas as palavras (ex: lingüiça será escrito como “linguiça”), com exceção para nome próprios

HÍFEN
Não será mais usado nos seguintes casos:
■Quando o primeiro elemento termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente (Ex: extra-escolar será escrito como “extraescolar”);
■ Quando o segundo elemento começar com r ou s. Nesse caso, a primeira letra do segundo elemento deverá ser duplicada (Ex: anti-social e contra-regra serão escritos como “antissocial” e “contrarregra”);

Outra regra para o hífen é a de incluí-lo onde antes não existia, nos casos em que o primeiro elemento finalizar com a mesma vogal que começa o segundo elemento (ex: microondas e antiinflamatório serão escritos como “micro-ondas” e “anti-inflamatório”.)

ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais o acento para diferenciar:
■“pêra” (substantivo - fruta) e “pera” (preposição arcaica)
■“péla” (flexão do verbo pelar) de “pela” (combinação da preposição com o artigo)
■“pára” de “para” (preposição)
■“pêlo” de “pelo” (combinação da preposição com o artigo)“pólo” (substantivo) de “polo” (combinação antiga e popular de “por” e “lo”)

ACENTO CIRCUNFLEXO
Deixará de existir em:
■palavras que terminam com hiato “oo” (Ex: vôo e enjôo serão escritos como “voo” e “enjoo”)
■terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos dar, ler, crer e ver (ex: Lêem, vêem, crêem e dêem serão escritos como “leem”, “veem”, “creem” e “deem”)

ACENTO AGUDO
■Será abolido em palavras terminadas com “eia” e “oia” (ex: idéia e jibóia serão escritos como “ideia” e “jiboia”.
■Nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: “feiúra” e “baiúca” passam a ser grafadas “feiura” e “baiuca
■Nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.

ALFABETO
O alfabeto agora contará com as letras “k”, “w” e “y”, somando um total de 26 letras

DUPLA GRAFIA

Apesar de ser um acordo entre os países que falam português, essa reforma ainda permitirá a dupla grafia de palavras que são pronunciadas com entonação diferente em diferentes países.
No Brasil, por exemplo, fenômeno se escreve com acento circunflexo, enquanto em Portugal se usa o acento agudo (fenómeno), e além de escrita de forma diferente é também pronunciada de forma diferente. Em casos como esses, serão aceitas ambas as grafias.

GUIA DA NOVA ORTOGRAFIA

Você pode baixar um guia completo com as novas regras ortográficas, gratuitamente, clicando AQUI.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PARA QUEM GOSTA DE LITERATURA E QUER PRATICAR REDAÇÃO

Um novo espaço dedicado a compartilhar textos literários, propostas de redação e materiais voltados para o estudo da Literatura em língua portuguesa.
Acessem:


Clique na imagem para ir ao site!

domingo, 25 de setembro de 2011

TIRANDO NA TIRA!

SENTIDO LITERAL X SENTIDO FIGURADO

 Conotação ou denotação? Como interpretar o texto de maneira mais adequada?

Quando pensamos nas facetas significativas das palavras, inseridas nos mais diferentes contextos, podemos pensar naquilo que a semântica chama de DENOTAÇÃO e de CONOTAÇÃO.
Tais conceitos são importantes para você que se prepara para prestar uma prova de língua portuguesa - num concurso, no vestibular, no Enem ou o que quer que seja.
Para dar aquela ajudinha, vamos falar um pouquinho sobre essas duas possibilidades de atribuição do significado ao significante.

Sentido denotativo (ou "literal", "ao pé da letra") é aquele em que a palavra está no seu uso mais comum, real e imediato; quando predomina tal uso significativo da palavra, dizemos que a linguagem é denotativa.

Aquela cobra capturada pelos bombeiros é muito venenosa!

Agora, quando a palavra não está sendo usada em seu sentido comum, configurando um pequeno desvio ou acréscimo em seu sentido original, dizemos que a linguagem é conotativa ou figurada. Observe o exemplo:

Aquela cobra ainda vai dizer o que não deve. (cobra = pessoa ruim, venenosa).

Assim, se você conseguiu entender bem o que são a conotação e a denotação, vai perceber que, no uso cotidiano da língua, não poderíamos dizer, por exemplo:

"O caminhão que levava as frutas tombou; o povo o saqueou e fez, literalmente, a feira."
"O preço dos alimentos subiu de modo considerável; está nas nuvens, literalmente."
"Quando o namorado de Sueli partiu, ela, literalmente, rastejou nos telefonemas, suplicando a sua volta."

Fica claro que, nos exemplos dados acima, houve apenas situações de ênfase; em nenhuma situação a palavra literalmente, portanto, está adequadamente empregada.
É conveniente que você atente para a construção do sentido no texto para saber como interpretar as informações codificadas pelo autor da maneira mais fiel possível.
Vale lembrar que, hoje em dia, as provas de língua portuguesa exigem muita interpretação e identificação correta da intenção por trás das palavras, o que faz com que, necessariamente, você mantenha os dois olhos bem abertos para os chamados fenômenos semânticos.
Buscar o sentido é das coisas mais importantes na leitura que fazemos dos mais variados textos a nossa volta.
Grande abraço a todos.

Professor Daniel Vícola

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"GUARDARROUPA", "GUARDA ROUPA" OU "GUARDA-ROUPA"?


E que as novas regras ortográficas ainda nos deixarão loucos, disso não temos mais dúvida alguma!
E novas interrogações nos vão surgindo, fazendo-nos questionar antigas grafias e, não raro, inventar outras tantas, botando pra rodar na vitrola, uma vez mais, o bom e velho "samba do crioulo doido"!
Outro dia mesmo, durante uma aula, uma aluna me perguntou se a palavra "guarda-roupa", agora, não é mais escrita com o hífen. Naquele momento, recorrendo rapidamente à memória recente de leituras sobre o assunto, não me lembrei de ter lido, em lugar algum, a palavra em questão grafada sem o hífen ou mesmo "guardarroupa", como um outro estudante mencionou ter lido num determinado jornal.
A dúvida permaneceu até que eu pudesse, com a sempre valiosa e pontual ajuda do VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), exterminá-la de uma vez por todas: "GUARDA-ROUPA" ainda se escreve assim, com hífen; não sofreu alteração alguma.
Mas esse é só um dentre tantíssimos outros exemplos de como a nova ortografia nos confunde e nos deixa perdidos com tantas - questionáveis - modificações!
Vale a pena lembrar que o período de convivência entre a velha e a nova ortografia termina no ano que vem e, por isso, precisamos nos preocupar em conhecer as mudanças e aplicá-las - ainda que a contragosto! - no cotidiano escrito do idioma!
Caso estejam curiosos para conhecer essa mui-excelentíssima ferramenta ortográfica que é o VOLP, queiram, por gentileza, clicar aqui e consultá-lo à vontade!
E aqui continuamos na defesa do bom uso e do bom proveito de nosso amado idiomaterno!
Grande abraço a todos!

Prof. Daniel Vícola

terça-feira, 5 de abril de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

ENTENDENDO O OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO


Muito bem. Estamos na aula sobre sintaxe do período simples, você imagina já ter entendido tudo sobre complementos verbais (objeto direto e objeto indireto) quando o professor vem com essa: "Vamos falar, agora, sobre o OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO, turma!"
Como assim? Será que a gramática enlouqueceu? Será que ela está contrariando suas próprias normas e querendo nos deixar confusos?
Muita calma nessa hora, minha gente! Por mais "absurda" que, à primeira vista, isso possa parecer, eu garanto pra vocês: esse fenômeno e sua nomenclatura FAZEM, sim, MUITO SENTIDO!
É só você prestar bastante atenção e entender por que é possível preposicionar um objeto direto sem, contudo, transformá-lo num objeto indireto.
Preparados para desmistificar mais um ponto relacionado à sintaxe do nosso idioma?
Pois bem, aqui vamos nós!

ENTENDENDO O OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO

Sabemos que objeto direto é o complemento que se liga ao verbo diretamente, isto é, sem o auxílio de preposição. Assim, em “Devemos respeitar nossos pais”, nossos pais é objeto direto do verbo respeitar porque se liga a ele sem a presença de preposição.(X respeita Y)
Entretanto, às vezes, o objeto direto pode aparecer precedido de preposição – e essa preposição, geralmente, é “a” – sem que isso o transforme em objeto indireto (que, como você já sabe, é complemento ligado ao verbo através de uma preposição). Neste caso, temos o objeto direto preposicionado, como em “Amar a Deus sobre todas as coisas”. “Amar”, no contexto, é transitivo direto (X ama Y), mas mesmo assim apareceu a preposição “a” (amar a Deus). 
Como você vê, existem contextos em que podemos empregar a preposição em relação a complementos que se ligam a verbos transitivos diretos. Normalmente, quando isso acontece, há razões semânticas por trás do preposicionamento desse objeto direto. Há casos em que o uso do objeto direto preposicionado é facultativo e, e outros em que tal uso pode ser considerado até mesmo "obrigatório", uma vez que sua função é promover a desambiguação da frase. Vejamos mais detidamente como isso se processa:

Uso facultativo:

• Com certos pronomes: “Márcia beneficiava a todos a sua volta” e "Gato a quem mordeu a cobra tem medo à corda". 

• Com verbos que exprimem sentimentos: “A garota amava aos que a rodeavam” e “Detesto a Paulo e à sua corja.”.

• Nas antecipações do objeto, comuns em provérbios: "A quinta roda ao carro não faz senão embaraçar" e “Ao boi, pega-se pelo corno e ao homem, pela palavra". 

• Como reforço à clareza: “Cumprimentei-o e aos que com ele estavam” e “Expulsou-o e aos comparsas”. Sem a preposição, podemos imaginar ser o segundo elemento do objeto direto sujeito de algum verbo, que na realidade não existe.

Uso obrigatório:

• Para evitar ambiguidade, mais precisamente, para não haver confusão entre o sujeito e o objeto: “A Daniel Mariana contratou” e “O urso ao caçador surpreendeu”. Sem a preposição, teríamos as construções ambíguas “Daniel Mariana contratou” e “O urso o caçador surpreendeu”. Nelas, não se sabe quem contratou quem nem quem surpreendeu quem. É claro que, como você já deve ter se questionado a essa altura, a ordem direta das frases resolveria muito bem a dificuldade: “Mariana contratou Daniel” e “O urso surpreendeu o caçador” –, mas se o escritor quiser manter a ordem inversa, a preposição é indispensável para a clareza da frase.

• Quando o objeto direto é constituído de formas pronominais: “Viu-me e a si própria refletidos nas águas da lagoa” e “Escolheu a eles seus conselheiros”. Sem a preposição, impõe-se o pronome oblíquo: “Escolheu-os seus conselheiros”. Veja ainda que as formas a mim, a si, a nós, etc. podem, pleonasticamente, reforçar os objetos representados pelos pronomes me, te, se, nos e vos, como em “Concluí que me feri a mim mesmo” e “Prejudicou-se a si próprio com o ato”. Como se vê, é também possível reforço adicional mediante o auxílio dos demonstrativos mesmo e próprio com propósito enfático.

Outra particularidade é a que se refere a verbos como comer e beber. Em “Gertrudes comeu a torta” e “Miguel bebeu o chá”, esses verbos são claramente transitivos diretos e consideramos que os sujeitos consumaram a ação, ou seja, comeram e beberam tudo. O que dizer, porém, de “Gertrudes comeu da torta” e “Miguel bebeu do chá”? Entendemos, nessas novas versões, que ambos os sujeitos comeram e beberam parte da torta e um pouco do chá, funcionando o objeto direto preposicionado, nesse caso, como um indicador de partitivo.

Espero que, a partir de agora, o conceito de objeto direto preposicionado fique mais claro para você!
Um grande abraço a todos e até a próxima!

Prof. Daniel Vícola

CORRIGINDO!

Queridões e queridonas que acessam o blogue: em nosso último encontro no Instituto Getusp, resolvendo uma das baterias de exercícios sobre VERBOS, uma das questões apresentou erro na marcação da resposta e, no embalo da resolução, sequer parei pra conferir o contexto da frase, que exigia a forma do verbo TER no singular, não no plural, como estava marcado, então, no slide, como resposta (alternativa E).
Recebendo e-mail da aluna Cecília, que faz o curso online, é que pude verificar o engano e, agora, felizmente, para o bem geral da nação, corrigi-lo em nome do perfeito aprendizado. (Obrigado, Cecília, por sua atenção e delicadeza!)
Abaixo reproduzo o teste em questão com a RESPOSTA CORRETA:


Fica claro, como vocês podem ver, que a concordância de TER, nesse caso, deve ser feita no SINGULAR - ele funciona como auxiliar do verbo HAVER que, neste caso, sendo sinônimo de "existir", não tem sujeito, senão objeto direto, exigindo que a locução permaneca na 3a pessoa do singular. Quando o verbo haver funciona como VERBO PRINCIPAL numa locução ele transmite a sua impessoalidade também para o verbo auxiliar, que concorda com ele, ficando na 3a pessoa do singular também.
É isso, minha gente.
Corrigida a falta, espero que todos tenham aprendido um pouco mais sobre os verbos.
Um grande abraço para a Cecília!
Até a próxima!

Prof. Daniel Vícola